O último dia da travessia – o encontro

A expectativa era enorme. A caravana entrou no oásis após quarenta dias de travessia, por volta do meio-dia. Era o maior oásis do deserto; era lindo. Diferente de tudo que eu imaginava. Era uma pequena, próspera e improvável cidade perdida em um mar de areia sem fim. Entre tamareiras, damasqueiros e pessegueiros tinha um enorme lago de água doce ao centro. Vários poços de água potável estavam distribuídos por todo o perímetro e eram de livre acesso. Com o solo fértil em função da água, uma sustentável agricultura de grãos e legumes, como grão de bico e cenoura, abastecia a população do lugar. Uma brisa constante e suave, além das fartas sombras proporcionadas pelas muitas árvores, amenizava a temperatura, tornando-a bem agradável. Uma vegetação rasteira cobria uma grande parte do oásis, emprestando uma bonita tonalidade de verde que contrastava com o azul firme do céu e o amarelo típico da areia. As casas possuíam grandes janelas para aproveitar a ventilação e em quase todas funcionavam alguma oficina ou loja. Identifiquei com facilidade, logo no primeiro passeio de reconhecimento que fiz, pequenas mercearias, ateliers de tapetes, alfaiatarias, cutelarias e até mesmo uma escola. As pessoas eram simpáticas e tranquilas; viviam em harmonia com o deserto. Como não havia acomodação para todos, a caravana acampou na periferia do oásis, em local apropriado, com poços de água disponíveis e muitas árvores. Sem demora, tentei localizar o dervixe com quem eu pretendia conversar e compartilhar da sua afamada sabedoria. No entanto, para a minha surpresa, os moradores eram vagos em suas respostas. Quando perguntados onde ele estava, respondiam que “em todos os lugares; em lugar nenhum.”

A exata localização da casa do sábio também se mostrava um enigma. “Onde o vento destrói as velhas formas”, “Onde o sol encerra com a noite” eram as respostas mais comuns que eu recebia. Na busca pelo dervixe, entrei em um armazém atrás de alguma informação. Era um lugar que vendia todo o tipo de coisas, em maior parte usadas, negociadas pelos viajantes das caravanas que tinham aquele oásis como um importante entreposto em suas rotas de comércio. As paredes eram cobertas por enormes prateleiras que continham os objetos comuns e úteis, como óculos de sol, mas também os mais esdrúxulos que a imaginação alcançava; fiquei sem acreditar ao me deparar com um escafandro exposto em uma das estantes. Um pequeno grupo de peregrinos que, como eu, chegara com a caravana estava sentado em torno da única mesa do lugar. Uma mesa comprida e coletiva. No armazém também se servia chá. Fui convidado a me juntar a eles. Os comentários à mesa versavam sobre a dificuldade em se localizar o dervixe. Estavam desanimados, convencidos de que o sábio não existia; tudo não passava de uma lenda muito bem alimentada pelos moradores do oásis no intuito de fomentar o turismo local.

Alguns, mais irritados, se declaram enganados. Lembraram que o caravaneiro os alertara que a caravana não garantia o encontro com o dervixe. Acusaram-no de participar e lucrar com aquilo que consideram um ardil. Outros ponderaram, não sem razão, que a travessia era o grande sábio. Cada qual aprendera e se transformara à medida das suas possibilidades; todos retornariam às suas cidades de origem com as transmutações que conseguiram alcançar. Deveríamos nos dar por satisfeitos com essa conquista pessoal. Agora cabia aplicá-las ao cotidiano.

Eu apenas ouvia enquanto bebia o saboroso chá servido pelo proprietário. Era um homem que combinava com a imagem peculiar do armazém. Assim como tudo mais naquele lugar, era uma figura atípica. Com a idade avançada, ele usava um pano enrolado na cabeça, parecido com o estilo dos tuaregues, sendo que um dos olhos restava tapado, enquanto o outro tinha o auxílio de um óculo. Alheio aos comentários, parecia não ouvir, ou não se importar, com as acusações que partiam da mesa. Aos poucos, um a um, os peregrinos foram saindo. Enquanto alguns retornavam ao acampamento, outros foram passear e conhecer melhor o oásis. Fiquei sozinho. Pedi outra xícara de chá. Comecei a prestar atenção àquele local. Percebi que uma das estantes estava repleta de livros usados. Eram livros dos mais variados idiomas. Apaixonado por livros, comecei a vasculhar as prateleiras em busca de títulos interessantes. Encontrei vários. Um em especial me chamou a atenção, O livro de areia, do alquimista argentino Jorge Luis Borges. Tinha lido-o na adolescência. Lembro que muito me impressionara, principalmente um dos contos, intitulado O outro. Porém, o meu exemplar havia se perdido após muitas mudanças de casas e alguns casamentos. Pela capa me dei conta que eram de uma mesma edição. Retirei o livro surrado da estante e quando comecei a folheá-lo tomei um susto. Encontrei a dedicatória escrita por uma antiga namorada para me presentear no Natal de muitas décadas atrás. Uma sensação indescritível me percorreu as entranhas diante da imponderável situação de um livro desparecido há quase quarenta anos no Rio de Janeiro retornar às minhas mãos em uma estranha mercearia em um oásis no meio de deserto. Não tive dúvida que levaria o livro como uma inacreditável lembrança daquela fantástica viagem. Perguntei ao dono quanto custava. “Um livro”, ele respondeu. Falei que não tinha entendido. O ancião esclareceu: “Qualquer livro da prateleira custa outro livro. Os livros não têm preço em dinheiro. Você pega um livro e deixa outro para quem chegar depois. Assim o conhecimento circula. Este é o seu único e verdadeiro valor.”

Expliquei a ele: “Eu vim com a caravana. Foi uma travessia difícil desde o início. Para ser aceito tive que aprender e começar a exercitar o desapego em uma rotina de simplicidade logo no primeiro dia. Até tinha alguns livros na minha bagagem, sem negar-lhes a sua fundamental importância, me desfiz deles, pois, embora sejam fontes indispensáveis de conhecimento, para esta travessia específica eram dispensáveis. Não me sobraria tempo para a leitura”, esclareci. Abri a carteira e tirei uma nota que me permitiria comprar uns dez exemplares novos em qualquer boa livraria. Antes tive o cuidado de pedir que não levasse tal gesto como ofensa. Humilde, o ancião disse que compreendia o meu desejo, entendia as minhas argumentações, deu de ombros como quem lamenta uma situação na qual não pode ajudar e tornou a explicar como quem fala o óbvio: “Um livro custa um livro. Nem mais nem menos.” Insisti narrando para ele a incrível trajetória daquele exemplar que em um dia distante me pertenceu. Sem dizer palavra, ele apenas me olhou com bondade e paciência como quem está diante de uma criança teimosa. Resignado, guardei o dinheiro e recoloquei o livro na estante.

Tudo naquele armazém me fascinava; do teimoso proprietário aos objetos inusitados repletos de histórias. Pedi mais um chá enquanto vasculhava as prateleiras. Encontrei um antigo punhal forjado em aço Damasco com o cabo confeccionado em chifre de carneiro. Com exceção dos livros, tudo o mais podia ser comprado com dinheiro. Nada era caro. Fiquei com o punhal para mim. Tornei a me sentar à mesa quando ele me serviu o chá. Perguntei qual era o seu nome. “Hani”, ele me respondeu. Tirei do bolso da calça um caderninho sem pauta e um lápis que desde jovem tive o hábito de levar para anotações. Como eu não tinha uma máquina fotográfica, comecei a desenhar o armazém pelo ponto de vista de onde eu estava sentado. Desenhei tudo em detalhes, sem nenhuma pressa. No centro da folha de papel estava o livro do Borges que, da prateleira, insistia em olhar para mim. Por algum motivo eu não sentia vontade de sair dali.

Longos minutos se passaram. Ninguém entrou no armazém, não trocamos palavra. Em determinado momento me dei conta que eu não fizera a Hani a pergunta que faria quando entrei no armazém. Mais para conversar do que por acreditar que pudesse obter ajuda, indaguei se ele conhecia o misterioso dervixe. A resposta de Hani fez com que eu parasse de desenhar: “Cada dia um pouco melhor”, ele me disse.

Incrédulo, eu quis saber como eu poderia encontrá-lo. A resposta de Hani foi um quase imperceptível sorriso. Eu não acreditei. Não, aquele rabugento, e ao mesmo tempo gentil ancião, não podia ser o sábio que todos procuravam e ninguém encontrava. Os peregrinos tinham passado parte da tarde sentados ao lado dele dizendo que ele não existia. Seria de uma ironia absurda. Horas atrás, naquela mesma mesa, todos se lamentavam da inexistência do dervixe enquanto ele ouvia os comentários em silêncio por detrás do balcão do armazém. Considerei que talvez Hani debochasse de mim com uma brincadeira sem graça. De outro lado, considerei que ele era a única pista disponível naquele instante. Supliquei por ajuda. Hani foi enigmático: “Todos que estiveram aqui se perderam no barulho das próprias palavras e nas veredas do desânimo. Você apenas ouviu com paciência e manteve o silêncio interno. Esta perseverança vai te conduzir ao encontro.”

Falei que não tinha entendido. Hani disse que estava na hora de fechar o armazém, que eu fosse à sua casa ao anoitecer. Ainda atordoado com os fatos, me despedi e prometi que lhe encontraria mais tarde. Vaguei a esmo pelo oásis, como um animal sem lar; mais na tentativa de acelerar o relógio e concatenar as ideias do que para chegar a algum lugar. Quando anoiteceu retornei à casa anexa ao armazém. Hani me esperava. Era um lugar simples. A sala não tinha nenhuma mobília, salvo almofadões coloridos encostados por todos os cantos. As paredes estavam repletas de quadros e imagens de diversos tipos e tamanhos. Tantos que cobriam as paredes por inteiro, como se fossem um inventário das histórias vividas pelo ancião. Uma imagem me chamou a atenção. Era uma inacreditável fotografia na qual Hani estava ao lado do Dalai Lama em frente ao armazém no oásis. Havia uma dedicatória escrita pelo monge budista que dizia “Ao menos uma vez por ano devemos visitar um lugar que não conhecemos.”

Brinquei com o ancião ao apontar para a foto: “Este ano cumpri a orientação do Dalai Lama”, ao me referir ao fato de também visitar o oásis. Hani franziu as sobrancelhas e me alertou, mais uma vez, ao seu jeito enigmático: “Ainda não.” Em seguida, pediu para eu me acomodar e esperar um pouco. Voltou com um tambor. Os famosos tambores mágicos do deserto, reconheci. Entendi que haveria um cerimonial. Em um dos cantos da sala o ancião rufou o tambor em compasso lento que aos poucos se intensificou. Por um tempo que não sei precisar fui me deixando envolver por aquele ritmo. Quando me dei conta, eu ouvia o tambor sem que o Hani o tocasse. Embalado por dois chocalhos que levava nas mãos, ele rodopiava incessantemente no meio sala como fazem os dervixes em seus rituais para alcançar um estado alterado de consciência. É um método próprio para entrar em contato com os bons espíritos e se banhar em vibrações luminosas para tentar entender um pouco mais além do véu da ilusão. Em verdade, também serve para conectar o inconsciente ao consciente como modo de ser inteiro.

Em algum momento me percebi girando como se fosse um dervixe. Dancei até a exaustão. Sentei em uma das almofadas. O tambor silenciou. Hani não estava mais na sala. Eu estava sozinho. Sozinho? Não. Percebi um jovem de cerca de vinte anos de idade sentado no canto oposto. Ele tinha os cabelos compridos e usava óculos de grau com aro redondo. O jovem me olhava sem muito interesse, talvez por não reconhecer em mim nada que lhe pudesse acrescentar. No entanto, eu o achei muito parecido comigo quando eu tinha aquela idade.

Perguntei se ele estudava medicina. O jovem me olhou com curiosidade e respondeu afirmativamente. Perguntei-lhe o nome apenas para me certificar. A resposta foi a esperada. Sem ponderar as consequências, o alertei: “Você abandonará a medicina depois de alguns anos de formado. Irá trabalhar com publicidade. Será mais feliz assim.” O jovem sorriu para mim com ironia e foi afirmativo: “Não me imagino exercendo outra profissão fora da medicina. Tenho mãos de cura.” Havia uma ponta de arrogância e outra de provocação em suas palavras. Sorri para mim por me reconhecer. Eu podia ajudá-lo. “Não é o seu dom. Você descobrirá isso”, falei. Ele riu e questionou: “E como sabemos que não exercemos o verdadeiro dom?” Sem me permitir a condução aonde eu não queria ir, expliquei com serenidade: “A tristeza, a impaciência, a irritação e a amargura que nos permeiam quando o trabalho é mera obrigação. São emoções contrárias àqueles que se movem pela alegria do amor.” O jovem sacudiu a cabeça como quem diz que eu não sabia sobre as coisas que eu mesmo falava e me desafiou: “Um afamado vidente me disse que tenho mãos de cura. O que faço com elas? Corto e lanço fora?” Diante do sarcasmo eu não tive qualquer dúvida de que eu falava comigo. Recusei-me a sair dos trilhos: “Sem dúvida que as suas mãos são de cura. Médicos, enfermeiras e psicólogos precisam ter mãos de cura. Padeiros, pedreiros e escritores também.” Antes que ele rebatesse, acrescentei: “Pense nisso com calma. Onde há amor existe a cura.”

Ficamos algum tempo em silêncio. Ambos precisavam ficar à vontade ao encontro. O jovem me contou: “Tive uma infância e adolescência com muitas dificuldades, tanto financeiras quanto emocionais. Daqui para frente quero uma vida diferente, quero as coisas boas que o mundo tem a oferecer. Serei um médico reconhecido e respeitado. Terei uma enorme clientela; a minha fama correrá o planeta.” Lembrei de como esses anos foram difíceis e atormentados para mim. Eu tinha tudo, mas não tinha nada. Eu o orientei: “Esses conceitos não retratam necessariamente uma vida boa. Todos os dias nos deparamos diante das bifurcações inerentes aos caminhos. De um lado, o brilho; do outro, a luz. Escolhemos a todo instante. Escolha sempre por amor para não precisar voltar à mesma encruzilhada.” Ele não entendeu a extensão do conselho. Eu sabia disto. Sabia também que mais à frente, quando estivesse pronto, aquelas palavras seriam como sementes a iniciar o processo de transformação. Há o tempo da semeadura; existe a estação da colheita. Aquelas palavras brotariam em sua mente como que por magia na hora certa. Então lhe seriam como flor e fruto pelo resto da vida.

Adiantei que ele seria um bom pai, pois entenderia a importância da responsabilidade e o ajudaria a entender sobre o amor. Ele riu e me avisou: “Não quero filhos. Apenas trazem preocupações e aporrinhações. Limitam a liberdade dos pais. Já tive problema demais com os meus.” Balancei a cabeça como quem, agora ao longe, pode se ver abraçado a um equívoco na ilusão da certeza; ignorei o comentário e prossegui: “Serão duas meninas. Cada qual com a sua personalidade e individuação. Lindas como somos todos nós. Uma, apaixonada pelas letras, será jornalista na cidade do Porto e estudará para se tornar uma editora de livros, por onde trilhará a vida através do seu dom. Diferentes e belas em si, a outra será afeita aos números, amante das ciências. Cursará o Instituto de Tecnologia da Georgia.” Naquele momento me dei conta que no pátio desta Universidade há um conjunto de esculturas que retratam Rosa Parker, a ativista das liberdades; jovem e anciã, à mesa, em conversa consigo mesma. Ela mostrara ao mundo que, muito mais do que ir e vir, a liberdade se enraíza nas escolhas atreladas à ética. Agradeci pela sincronicidade e oportunidade oferecidas. Tentei apaziguar o coração do jovem: “Ao contrário do que acredita, mesmo entre preocupações e dificuldades, as suas filhas serão inestimáveis presentes da vida a você. Aprenda com elas sobre o amor para depois viver o amor no mundo. Aproveite cada momento com alegria e fé. A vida nunca nos abandona; somos seus filhos.”

Eu tinha muita coisa para falar ao jovem; podia evitar uma infinidade de sofrimentos que ele teria, pessoas que magoaria, tombos que lhe aplicariam. Mas a imagem dele foi esmorecendo à minha frente, como se perdesse a definição. Antes de desaparecer, ele me questionou: “Como saberei se este encontro aconteceu?” Respondi de pronto: “Não saberá até chegar ao dia de hoje. Apenas acordará como se tivesse visitado uma realidade distante.” Curioso, ele quis saber mais: “Como em um sonho?” Expliquei que era exatamente isto que estava acontecendo. Ele sonhava com ele mesmo em uma diferente época da sua vida. O ancião auxiliando a si quando jovem. Ele duvidou: “Não podemos estar no passado e no futuro ao mesmo tempo.” Tornei a explicar: “O tempo é linear apenas na superfície. Em profundidade é quântico; permite encontros de tempos distintos através de saltos vibracionais, assim como os elétrons de um átomo podem girar em várias elipses simultaneamente.” Ele me olhou como se estivesse diante de um louco e me inquiriu: “Como sabe disso?” Falei antes que ele se fosse: “Você aprenderá durante a travessia do deserto.”

Visivelmente preocupado, fez a última inquirição: “Tudo dará errado comigo, é isso?” Eu o consolei: “Algumas coisas precisam dar errado para que, então, em verdade, possam dar certo.”

Nossas mãos se tocaram de leve em despedida. Fechei os olhos por longos minutos. Eu precisava metabolizar aquele encontro. Percebi o quanto de mim ainda precisava restar iluminado; a jornada encantada não tem fim. Quando abri os olhos me deparei com a foto do Dalai Lama ao lado de Hani pendurada na parede. Entendi a dedicatória. “Ao menos uma vez por ano precisamos visitar um lugar desconhecido.” O monge budista se referia a um lugar dentro de si.

Sem muita demora, Hani entrou na sala. Trazia um bule com chá e duas xícaras. Sentados ao chão, ele nos serviu. Bebemos em silêncio. Eu sabia que não era preciso lhe contar sobre o encontro. Estava na hora de partir. Agradeci ao dervixe pela oportunidade fantástica daquele encontro. A sabedoria sufi, que eu apenas conhecia pelos textos e poesias de Rumi, estaria para sempre agregada ao meu ser. Lembrei que a travessia se iniciara através de um poema do filósofo persa. Hani apenas sorriu como se dissesse que nada é por acaso. Antes de ir, eu quis saber um pouco mais sobre o caravaneiro e a mulher com os olhos da cor de lápis-lazúli. Eles seguiam como um mistério para mim. Sem fugir a pergunta, mas sem abandonar os enigmas, o dervixe explicou: “Ambos são guardiões. Ele é o guardião de fora; te protege dos perigos do mundo. Ela é uma guardiã de dentro; pacifica as suas emoções; te protege de você mesmo. Para isto se faz necessário que você esteja alinhado à luz, pois eles nada podem fazer fora das leis cósmicas.” Fez uma pausa antes de concluir: “Não se atravessa o deserto sem os guardiões.”

Flanei pelo oásis com o olhar repartido entre a beleza das coisas e as estrelas do céu. Percebi uma agitação. Era o movimento de outra caravana que partiria em instantes. O oásis faz parte da rota de todas as caravanas. Dei-me conta que eu tinha aprendido, transmutado e compartilhado; era hora de seguir para fechar o ciclo. Sem hesitar, negociei um camelo e um lugar na nova caravana. Como eu pouco carregava, logo aprontei o alforje e o coloquei sobre a montaria. Partimos. Eu estava tomado por uma maravilhosa sensação de bem-estar e leveza; como se as plenitudes se avizinhassem. Marchamos por quase uma hora noite adentro quando uma enorme lua cheia surgiu por detrás de uma duna iluminando a caravana. Sem qualquer surpresa, vi à frente do grupo o caravaneiro cavalgando ao lado da bela mulher com os olhos da cor de lápis-lazúli.

Eles ainda me acompanhariam por muitas travessias.

Discussões — 26 Respostas

  • Maria 12 de dezembro de 2018 on 04:02

    É incrível como precisamos mudar de lugar, sairmos do ponto de vista do conforto para enxergarmos um palmo à diante.

    Incrível também é o poder das palavras, de nos transportar de um lugar nebuloso e sem atrativos, para aquele mesmo lugar agora iluminado. A visão ampliada, a percepção aguçada, o sossego no coração que nos fornece a sensação de plenitude e paz.

    Mais incrível ainda é a presença de pessoas iluminadas que se dispõem a iluminar outros caminhos, caminhos já desacreditados, com sua compaixão e dedicação.

    Que Yoskaz tenha vida eterna.
    Bendita seja sua passagem por nossos caminhos, e que possamos ser multiplicadores dessas palavras pacientes e elucidativas, que nos transformam o olhar, e transmutam nossas condições passivas a de agentes conscientes do caminhar.

    Gratidão.

  • Hildes Torres 6 de dezembro de 2018 on 22:38

    O que me restam agora…. silêncio, quietude e infinita gratidão! Yoskhaz

  • Hélio Dauto 1 de dezembro de 2018 on 10:38

    Muito bom te participado desta travessia com vocês….agora é hora de tomar outra caravana…a jornada continua, um pouco mais iluminada!

    Gratidão.

  • Vivi Barbosa 30 de novembro de 2018 on 11:32

    Eu amei o desfecho, estou encantada com o encontro.
    Gratidão infinita! !!!

  • Claudenir Fernandes 28 de novembro de 2018 on 15:39

    Revelação. Obrigada

  • RITA DE CASSIA FIGUEIREDO SOARES 28 de novembro de 2018 on 10:38

    Sensação inominável… Gratidão…

  • nazare 24 de novembro de 2018 on 22:13

    Adorei cada dia neste deserto.. Obrigada!!

  • Bruno Silva 24 de novembro de 2018 on 18:10

    Obrigado!

  • Kallas 24 de novembro de 2018 on 06:14

    Gratidão! Caríssimo irmão… Tuas palavras propiciaram uma caminhada menos afoita a esta leitor contumaz.

  • Rodrigo Carvalho 23 de novembro de 2018 on 10:47

    Esplêndido, mãos que curam através da escrita desses textos. Esse aprendizado nessas semanas me acompanharão para sempre……Gratidão!!!!

  • Ivone da Costa Andrade 23 de novembro de 2018 on 09:18

    Nossa, que travessia! Por muitos momentos, me senti fazendo parte dela. Então, vamos procurar tantas coisas fora de nós quando, na verdade, estão todas dentro de nós. Quando conseguimos fazer este belo encontro com a nossa FONTE, descobrimos que tudo o que precisamos está lá. Eu adorei cada leitura e cada aprendizado. Conheci um grupo de Dervixes na Turquia, mas não sabia ao certo o significado. Agradeço a você por ter entendido agora. Me sinto um pouco triste por ter acabado… Já sinto falta das travessias no deserto, dos seus aprendizados e dos nossos, como seus leitores … Talvez, seja a hora de eu fazer a minha travessia … Minha gratidão eterna a você. Que sua vida seja de luz, paz e sorrisos.

  • Margareth 22 de novembro de 2018 on 22:01

    Gratidão.. gratidão.. gratidão..

  • Leandro Moller 22 de novembro de 2018 on 17:25

    Emocionante, como foram os outros 39 dias da travessia! Muito obrigado por compartilhar essa jornada Yoskhaz! Equivalente a algumas sessões terapia. Sigo te acompanhando! Um forte abraço.

  • Ivanete Teleski 22 de novembro de 2018 on 08:44

    Seu nobre coração transborda…

    Gratidão por essa travessia linda!

  • Rafaela 21 de novembro de 2018 on 22:47

    Sem palavras !!! Esplêndido !!! Gratidão !!! 💐💐💐💐

  • André Filipe 21 de novembro de 2018 on 15:21

    Fantástica narrativa. Emocionante!

  • Thiago lobato teixeira 21 de novembro de 2018 on 12:37

    Te acompanhar nessa trajetória foi estar na caravana , eu tive o encontro ‘ ❤

  • Joane Faustino Araújo 21 de novembro de 2018 on 12:36

    Muita gratidão por compartilhar Yoskhaz essa travessia maravilhosa nesse universo interior foi incrível acompanhar cada texto, agora é aprender e transmutar no cotidiano para que um dia também possa compartilhar
    Muito feliz por ter encontrado seus textos magníficos seja quem for saiba que iluminou cada pensamento meu
    Gratidão 🌹♥️

  • Irmão das estrelas 21 de novembro de 2018 on 11:04

    Uma obra digna de se tornar um clássico!!! Muitíssimo obrigado por nos presentear com esses diálogos carregados de sabedoria!

    ” Pelos seus frutos os conhecereis”

    LUZ!

  • Erik Vinicius 21 de novembro de 2018 on 09:40

    Adorei a série de textos! Continue com eles, me trouxeram um bem e compreensão que eu precisava!
    Parabéns!

  • Michelle 21 de novembro de 2018 on 08:55

    Emocionante ! ❤️🌹

  • Jefferson 21 de novembro de 2018 on 08:02

    Simplesmente Fantástico!! Mãos que curam!
    Gratidão Yoskhaz pelo presente de te acompanhar nesta travessia, e poder compreender um pouco mais sobre esse divino mistério, o qual todos fazemos parte.
    Que seus passos sigam iluminados pela luz do seu coração.
    Gratidão!!

  • Domingos M. Júnior 21 de novembro de 2018 on 00:58

    Lindo!!!
    Emocionante !!!
    Surpreendente !
    Estou boquiaberto …
    Você tem mãos que curam! Indubitavelmente.
    Estou emocionado!
    Muito obrigado por viajarmos juntos nesta travessia.
    Que venham as próximas!

  • Girlainy Araujo 20 de novembro de 2018 on 23:37

    A mais bela travessia que já fiz nestes meus 50 anos. Um verdadeiro presente em resposta aos meus anseios e problemas. Que venham outras mais….Gratidão.

  • Douglas 20 de novembro de 2018 on 22:25

    Belíssimo texto
    Estava ansioso para ler esse texto
    Obrigado pela alegria de ler isso
    Sempre esclarecedor
    Que encontro

  • Douglas 20 de novembro de 2018 on 22:24

    Belissimo texto
    Achei incrível esse encontro
    Estava ansioso para ler esse texto
    Obrigado
    Gostei bastante