Agradeça pela escuridão

Eu seguia de carro pelas montanhas do Arizona, na sinuosa estrada que liga Flagstaff a Sedona, quando fui abalroado por outro veículo. Depois de alguns dias internado, fui convalescer na casa de Canção Estrelada, o xamã que tinha o dom de eternizar a filosofia do seu povo através da palavra. Estávamos na varanda da sua casa. Era uma tarde linda, sem nenhuma nuvem no céu. Lamentei o acidente, pois não poderia fazer quase nada daquilo que havia me programado. Passeios a cavalo, mergulhos no lago, descer de bote pelas corredeiras, além das desejadas trilhas até os locais sagrados nas montanhas para os cerimoniais mágicos não seriam possíveis com a perna engessada. Canção Estrelada apenas me olhou. Acendeu o seu indefectível cachimbo com fornilho de pedra vermelha, deu algumas baforadas e disse: “Tudo o que acontece em nossas vidas é para o nosso bem. Portanto, agradeça pelo acidente”. Falei que ele não podia estar falando sério. Embora eu tivesse consciência de que os danos poderiam ser mais graves, e isso sempre é possível, de outro lado, eu poderia passar as férias sem qualquer lesão, como, aliás, sempre foram os meus dias em Sedona. O xamã olhava a fumaça do cachimbo dançar ao sabor da brisa da tarde e comentou: “A sua espiritualidade é como um lago com pouca água, Yoskhaz. Ainda muito rasa”. Eu sacudi a cabeça em resposta. Comentei que ele não estava com o humor afiado. No mais, não se faz graça com a desgraça dos outros. Lembrei os meus muitos anos de estudo em filosofia e metafísica, inclusive os vários períodos nos quais estive com ele aprendendo sobre o xamanismo. Falei dos estudos que mantinha sobre o Tao, o estoicismo e a tradição cristã com Li Tzu, Loureiro e o Velho, respectivamente. Canção Estrelada questionou: “De que me serve ter um rio a atravessar o quintal se não bebo nem me banho em suas águas?”.

Discordei de imediato. Falei que era impossível ficar satisfeito por ter os planos de férias frustrados, principalmente por causa de um acidente que poderia ter sido evitado. Ponderei que se eu não tivesse ido a Flagstaff almoçar naquele dia, nada teria acontecido. O xamã deu de ombros e disse: “Talvez pudesse ter acontecido algo pior caso tivesse ficado aqui”. Tornou a baforar o cachimbo e considerou: “Os bons espíritos nunca nos desamparam. Há lesões e situações bem mais graves do que uma perna fraturada. Aceite que você recebeu um belo presente; ficará mais fácil aprender a usá-lo”. Olhou-me nos olhos e voltou a aconselhar: “Agradeça!”.

Fomos interrompidos nesse instante por um grupo de amigos que passariam a noite na floresta para fotografar animais noturnos. Foram me pedir emprestado a máquina fotográfica, uma vez que eu não poderia acompanhá-los. Disse para eles pegarem em minha mochila e olhei para o Canção Estrelada como quem diz para ele me compreender e dar razão. O xamã sorriu. 

Assim que o pessoal se despediu, ele comentou: “A sabedoria ancestral do meu povo ensina que em cada situação ruim existe um mago escondido entre os escombros”. Um mago? Estranhei. O xamã prosseguiu: “O poder de um mago é o de transformar a realidade. Encontre o mago ou o acidente será apenas uma chateação”. 

Canção Estrelada se levantou e saiu. Peguei um livro para me distrair, mas não consegui me envolver na narrativa. A minha mente, de modo recorrente, me lembrava daquilo que eu tinha programado, mas não poderia fazer. As minhas férias tinham sido furtadaspelo destino. Os dias começaram a ficar quentes demais e as noites muito geladas; o café, morno; a comida sem gosto. Foi quando chegou o final de semana. Aos sábados, desde que deixou de dar aulas na escola da cidade, há muitos anos, pais e filhos se reuniam sobre o frondoso carvalho que havia no quintal da sua casa para ouvir as histórias contadas pelo xamã, nas quais ensinava a sabedoria antiga do seu povo. Era um agradável e seguro cerimonial mágico. Magia é transformação; as histórias deixavam ideias novas como sementes para cada um modificar a própria realidade; muda-se a vida quando mudamos a maneira de viver cada um dos seus dias. Eu estava confortável na varanda e preferi não me aproximar. Escutaria dali. Dois meninos, com uns cinco anos de idade, vieram até a mim e me ofereceram balas. Recusei; acrescentei que balas tinham muito açúcar e causavam cáries. Um dos meninos se virou para o outro e comentou: “O tio está ranzinza. Vamos embora”. Aquilo me incomodou; não se educavam mais crianças como antigamente, pensei.

Diante de dezenas de pessoas que se acomodaram sobre a grama, Canção Estrelada iniciou a história: “Há muito tempo existia um notável guerreiro chamado Koda. Ele cavalgava bem, era um excelente rastreador, escalava paredes de pedras com rara agilidade, habilidoso no uso do arco e um exímio lutador. Gostava de caçar sozinho, pois ninguém conseguia acompanhá-lo em força e destreza; passava dias na floresta e quando retornava trazia toda a carne que a aldeia precisaria para atravessar o inverno. Era temido pelos inimigos e admirado pelos amigos. Certa vez, quando o seu único filho entrou na adolescência, contrariou os próprios hábitos e o levou consigo para caçar. Queria transmitir ao jovem tudo aquilo que aprendera com o pai e aperfeiçoara. Naquela caçada conseguiram localizar um enorme urso pardo, um animal famoso por sua agressividade. Contudo, Koda sabia que além de suprir boa parte da alimentação da tribo, aquela caça seria um valioso rito de iniciação para o filho. Passaram dias espreitando o animal. Como era impossível enfrentar o urso em luta franca, esperavam um momento de descuido para um ataque definitivo. O animal seguiu para um penhasco. Koda sabia que era perigoso, pois poderia terminar acuado entre o urso e o abismo. Não costumava se deixar levar por essas situações, mas não queria decepcionar o filho. Já o imaginava usando um casaco confeccionado com aquela pele e um cordão feito com a enorme unha do urso, símbolos de coragem, habilidade e poder perante à tribo. Em determinado momento, o animal começou a descer o penhasco. Koda e o filho o acompanhavam a uma distância segura, quando, de repente, o urso inverteu o sentido para avançar rápido ao encontro do Koda e do seu filho. O rapaz se assustou e desequilibrou. Koda fez de tudo para segurá-lo e acabou também caindo. O filho bateu com a cabeça em uma pedra e foi direto para os braços do Grande Espírito”. Pude perceber que alguns ouvintes tinham lágrimas nos olhos. O xamã prosseguiu: “Koda sobreviveu, porém, na queda quebrou todos os dedos das mãos, além de ter dilacerado vários tendões. Nunca mais poderia lançar uma flecha nem manusear um arco; restara impossibilitado de caçar pelo resto da sua existência”.

“Somada a dor de não mais exercitar aquilo que acreditava ser o seu dom, Koda estava envolvido em incomensurável tristeza pela partida repentina do filho amado. De uma única vez, perdera todas as coisas que alimentavam a sua vida. Quando ficou bom da fratura das mãos, embora restasse uma limitação definitiva para mexer os dedos, o que o impedia de fazer muitas coisas, outra fratura estava longe de cicatrizar. Localizada no coração, parecia impossível de curar; isto o impedia a alegria dos dias. Para Koda era improvável que um dia pudesse preencher o vazio que se instalara dentro de si”. 

“Certa noite de um inverno bem rigoroso, quando todos na aldeia dormiam, Koda saiu sozinho para a floresta sem avisar a ninguém. Não levou alimentos, água ou mesmo um manto para se proteger do frio. Envolvido em incomensurável depressão, estava disposto a ir ao encontro do filho querido no mundo invisível do Grande Mistério. Foi para o mesmo penhasco do qual tinham despencado. Entendia que lá era a adequada plataforma de embarque. Recostou-se em uma pedra gelada pela baixa temperatura, se deixou adormecer pelo frio para que a noite o levasse. Quando acordasse não estaria mais neste mundo. Ocorre que o seu filho lhe apareceu em sonho. O jovem estava lindo e sorridente. Disse ao pai que estava bem e feliz. Explicou que cada pessoa tem o seu tempo de viagem em cada existência e é preciso não apenas respeitar, mas aproveitar cada dia. Partir antes da hora atrapalha o prosseguimento da viagem por levar de volta ao ponto de partida. Então, ao contrário, do que Koda desejava, demoraria ainda mais para tornarem a estar juntos. Contudo, explicou que o coração é o lugar de muitas fontes de águas puras; fontes do amor e do perdão. O pai deveria se perdoar, pois ele não era culpado pelo o que tinha acontecido; tudo tem o seu tempo. Explicou que também não deveria lamentar o destino; sempre existe amor, sabedoria e justiça nos fatos da vida, embora tenhamos alguma dificuldade de entender muitas coisas antes do devido tempo. O tempo de expansão da consciência.”

“Falou que todas as vezes que quisesse sentir a presença do filho, entoasse uma canção em sua lembrança; mas que fosse uma música alegre, pois o amor sem alegria não é amor. Acrescentou que o pai deveria voltar para a tribo e se reinventar. Koda respondeu que não conseguiria, pois tudo estava muito escuro em sua vida. O filho lhe respondeu: agradeça pela escuridão.”

Koda acordou assustado. Além do impacto que o sonho causara, estava muito frio e começava a sentir uma incômoda dormência pelo corpo; morreria de hipotermia antes de voltar para aldeia conforme os conselhos do filho. Foi quando ouviu um estranho ruído. Era o enorme urso pardo, o mesmo do dia fatídico. Como não podia lutar nem correr, Koda apenas olhou para os olhos do animal. Em silêncio, pediu por misericórdia. Assim, ao invés de suicídio, uma morte involuntária poderia levá-lo ao encontro do filho. No entanto, o urso tinha compaixão em seu olhar. Ao contrário do desejo de Koda, o animal se deitou ao seu lado e o acolheu junto ao seu corpo quente, impedindo que o frio apagasse a luz da sua existência.”

“O antigo guerreiro acordou com o sol alto da manhã. O urso não estava mais ao seu lado. Impressionado com os fatos da noite, Koda retornou à aldeia e relatou os acontecimentos fantásticos que havia vivido. As pessoas disseram que se tratava de uma boa história, mas pareciam não acreditar. Disseram para Koda que alguns sonhos parecem reais, mas são apenas sonhos. Alegaram que poderia se tratar de um delírio proveniente do frio extremo. No entanto, outras pessoas se aproximavam para ouvir. Embora também duvidassem da veracidade, perguntavam se ele sabia contar outras histórias, pois tinham se encantado com a maneira como ele narrara aquela; juraram se sentir como estivessem vivendo a trama. Koda se deu conta que gostava de contar histórias e este talvez fosse o motivo pelo qual as contasse tão bem”.

“Koda lembrou das antigas histórias ensinadas por suas avós. Havia sabedoria nelas; na infância se divertia tentando encontrar as lições de cada uma. Passou a catalogar as histórias ancestrais do seu povo. Passo seguinte, começou a narrar as suas caçadas; introduzia elementos de mistérios e fantasia, não apenas para torná-las mais interessantes, mas para ressaltar o absurdo da realidade que negamos em aceitar. O mais interessante foi perceber que ao contar as histórias também aprendia com elas; havia mais lições do que se dera conta à época. Entendeu, então, como as histórias podiam ajudar; eram sementes de transformação pelos ensinamentos que transmitiam. Inclusive, e principalmente, a ele mesmo.”

“O tempo passou. Quando todos se deram conta, o guerreiro tinha se retirado de cena para que o sábio ocupasse o seu lugar no palco da vida. Descobriu que, em verdade, o guerreiro apenas existiu para municiar as histórias que um dia o sábio contaria. Ensinar era o seu genuíno dom. Koda se tornou um maravilhoso contador de histórias, um jardineiro de flores da evolução. A semente primordial foi a escuridão que um dia, por tudo se fazer escuro ao extremo, lhe permitiu ver a luz da vida como nunca tinha percebido antes.” 

“Aprendeu a tocar tambor para acompanhar as canções ancestrais que também eram maneiras de ilustrar as histórias. Algumas cantigas são como revistas em quadrinho, brincava. O contador de histórias viveu em inimaginável plenitude quando comparado aos dias nos quais se orgulhou por ser um exímio caçador. O acidente forçou a busca ao desconhecido que havia em si; então, se tornou encantado para sempre”.

Fez-se um silêncio absoluto.

Uma adolescente pediu para falar. O xamã fez um gesto com a cabeça para que ela prosseguisse. A moça comentou: “Às vezes, quando tudo parece claro temos dificuldade de enxergar onde está a luz; quando tudo parece divertido costumamos esquecer da necessidade de avançar e evoluir. Então, por ato de puro amor, a vida nos deixa na escuridão para que possamos entender como a luz se manifesta, nos movimenta e fortalece”.

Canção Estrelada sorriu em aprovação. Franziu as sobrancelhas para a plateia e tornou a lembrar: “Divertir-se é fundamental e ajuda a aliviar as tensões da existência. Porém, a essência da vida é a evolução. Em alguns períodos, seja por distração, seja por comodidade, perdemos a sensibilidade para localizar a luz. São os momentos que a escuridão chega para nos ajudar. Ao destruir a realidade de hoje, ela abre espaço para um inimaginável amanhã ao ressaltar a luz que não conseguimos ver. Claro, desde que saibamos aproveitar a oportunidade”.

Uma garotinha levantou o braço. Canção Estrelada disse para ela falar. A menina queria saber qual música Koda cantava quando sentia saudade do filho, pois ela teve um cachorrinho que também tinha ido encontrar com o Grande Espírito. O xamã lhe sorriu com doçura e explicou: “Koda pegava o tambor e rufava uma canção de amor para o filho. Ele deixava que o seu coração lhe dissesse qual seria a canção; o grande segredo de Koda foi que ele aprendeu a ouvir o próprio coração; isto o tornou um sábio. Então, quando dormia, em seus sonhos encontrava com o filho; eles conversavam, brincavam e riam. Koda acordava em paz. Passou a gostar de sentir saudade, o mesmo sentimento que antes dilacerava o seu coração; entendeu que era uma bonita manifestação de amor e ela, a saudade, os mantinha unidos. Como a saudade é uma manifestação de amor, sempre entoava canções alegres para o seu filho”. A garota quis saber se todas as vezes que ele cantava para o filho acontecia o encontro. O xamã esclareceu: “Não. Na verdade, o filho lhe apareceu poucas vezes nos sonhos. No entanto, o amor, além de atemporal, está em todos os lugares; basta que o deixemos entrar. Ao cantar, Koda sentia a presença do filho e isto lhe trazia felicidade e paz. No mais, todas as vezes que Koda contava uma história, de alguma maneira, também sentia o filho por perto, pois ele tinha sido a pedra angular da maravilhosa transformação que ocorrera em sua vida”. A menina agradeceu e disse que aprenderia a escutar o seu coração para saber qual canção deveria cantar para sonhar com o seu cãozinho. Emocionados, todos bateram palmas. Em seguida, comeram os lanches que levaram, conversavam bastante. Já era noite quando todos se foram.

Sem dúvida, eu presenciara um cerimonial mágico. Diferente daqueles vividos na floresta ou no alto da montanha, porém igualmente poderoso pelas possibilidades de evolução que oferecia. Quando o Canção Estrela passou pela varanda, perguntei se aquela história tinha sido para mim, por causa do acidente. Ele deu de ombros e disse: “Todas as histórias nos servem, basta deixar que nos ensinem”. Falei que algo me tocara naquela narrativa, mas não sabia precisar o quê. O xamã aconselhou: “Talvez o seu coração queira lhe dizer alguma coisa. Para tanto, sugiro quietude e solidão”.

Canção Estrelada me ajudou a ir até a sala e me acomodou em uma confortável poltrona. Em seguida me perguntou quais objetos chamavam atenção aos meus olhos. Tinham muitas coisas ali. Falei das fotografias, dos quadros, dos móveis, de algumas relíquias sagradas que ficavam em uma mesa ao centro que servia de altar. Em seguida, ele desligou o interruptor da energia elétrica. Como era noite, ficou tudo escuro. Voltou a me perguntar o que me saltava aos olhos. De imediato respondi que era a chama de uma pequena vela que era mantida acesa sobre uma cômoda. O Xamã comentou: “A chama da vela era uma luz que até há pouco, diante de tantas coisas, escapara à sua percepção. Este é o poder da escuridão. Agradeça quando ela chegar por mostrar onde está a luz que você não consegue ver”.

Não satisfeito, foi mais fundo. Apagou a chama da vela e tornou a perguntar o que me ressaltava aos olhos. De novo na escuridão, falei que, por causa de um abajur aceso, percebia a luz que vinha por detrás das frestas da porta de um dos quartos da casa. Canção Estrelada alertou: “Existem várias portas. Apenas a escuridão permitiu ver em qual delas há luz por trás. Assim acontece na vida”.

            Passei a noite sentado na poltrona da sala em reflexão. Os meus pensamentos deram volta ao mundo várias vezes. Ao meu mundo. Entre idas e vindas, subidas e descidas, me dei conta que sempre amei escrever. Fui trabalhar como publicitário como maneira de desenvolver histórias através dos anúncios que eu criava. Em outro momento, há muitos anos, quando vivi uma situação muito complicada, escrevia todos os dias como maneira de manter a minha sanidade e equilíbrio. De um jeito próprio, eu nunca abandonara a escrita. Nos últimos anos a minha busca por autoconhecimento me levara a muitos cantos do mundo. Do Arizona ao Himalaia; do mosteiro ao deserto. Em verdade, eu estive em muitos lugares porque precisava entender que o melhor lugar do mundo está dentro de mim. Foi necessário viver muitas histórias. Cada uma conta um passo desse caminho. O Caminho. Eu precisava escrevê-las; a minha alma queria isto.

            Peguei um caderno que levava na mochila e comecei. Escrevi a mão; era um manuscrito. Escrevi dias e noites, parando apenas quando vencido pelo sono. Algumas vezes adormeci em cima do caderno. A dificuldade de locomoção tornou o ato de escrever ainda mais prazeroso; graças à dificuldade entendi o pedaço que me faltava; ou melhor, a parte que havia esquecido em mim. O que a vida me impedia por um lado, me enriquecia por outro. Sempre é assim quando estamos atentos. O final das férias coincidiu com o prazo para eu retirar o gesso. Eu estava com a perna curada. E a alma também. Tinham sido as melhores férias da minha vida. Eu voltava para casa renovado e com um caderno repleto de histórias. 

            No dia da partida, me despedi de Canção Estrelada e o agradeci por todos os ensinamentos. Quando saí da sua casa, vi o inseparável tambor de duas faces ao lado de uma pequena fogueira feita no jardim; o calor do fogo era usado para esticar o couro do instrumento. Foi quando me dei conta que sempre houvera uma pata de urso estampada em uma das faces do tambor. É uma tradição os xamãs pintarem os seus tambores com símbolos, mandalas, totens ou animais de poder. Mas a pata de um urso? Seria ele o Koda? Olhei para Canção Estrelada assustado com o que poderia se tratar de uma revelação. Os meus olhos queriam uma resposta. O xamã apenas arqueou os lábios em leve sorriso sem dizer palavra. Percebi que em seu coração havia feridas curadas pelo amor; em suas mãos as cicatrizes estavam apagadas pelo tempo.

            Um ano depois, os manuscritos do caderno se transformaram em Manuscritos, o livro. Do Rio de Janeiro enviei um exemplar da primeira edição para o Canção Estrelada. Nele, uma dedicatória sincera: Obrigado por me mostrar o valor da escuridão. Apenas ali pude encontrar a luz que refletia da minha alma, mas eu não conseguia ver. A escuridão me ensinou a chegar à luz! Paradoxal? Não! A vida, por amor e sabedoria, nos fecha muitas estradas quando quer nos mostrar o caminho certo. O genuíno dom e um novo sonho…

Discussões — 24 Respostas

  • Cláudia Gomes 27 de julho de 2019 on 16:34

    Neste momento não há palavras que descrevam como estou me sentindo ao ler esse texto. Apenas gratidão meu caro amigo…Gratidão

  • Fernando Machado 20 de junho de 2019 on 03:56

    Gratidão profunda e sem fim Yoskhaz, sem fim…

  • Karllus 20 de abril de 2019 on 11:36

    Todos os seus textos são carregados de ensinos e magia, mas este até o momemto se mostrou diferente de um jeito que não sei explicar, vou tenter! A magia dessa leitura se mostrou clara como uma pessoa, um ser que seria como o espirito dessa história. Ele estava ali, em pé, de braços cruzados, me olhando com um sorriso como se tivesse saido do texto, como se fosse o próprio texto. Não poderia ser ulgum dos personagens porque estava vestido com uma roupa branca, de chapéu, acho que usava óculos, ao mesmo tempo que lia a história e entendia o que estava lendo essa imagem estava na minha cabeça, como se estivesse do lado esquerdo e dentro da minha cabeça com tudo escuro em volta. É a primeira vez que isso acontece comigo ou a primeira vez que me lembro, associo e ponho em escrito, talvez pelo enrredo da história. Cara! muito grato! sinto algo diferente nessa leitura e não estou sozinho nisso pelos efeitos causafos nos companheiros de leitura e expostas nos comentários. Gratidão Yoskhas! SINIIIIIIISTRO!!!!!!!!!

  • BRIAN 10 de abril de 2019 on 00:12

    Extraordinário, belo e esclarecedor! Parabéns pelas escolhas e caminhos trilhados. Suas narrativas tem sido o farol dos navegantes, meu religare, o download de um manual divino sobre as verdadeiras ferramentas para aprimorar nossa jornada; as virtudes. Gratidão por ter encontrado a Luz e refleti-la. Ahow, Namastê, Eu vejo você!

  • Terumi 10 de fevereiro de 2019 on 20:27

    Gratidão!! Só tenho a agradecer o quanto seus ensinamentos me ajudam!! 🙏

  • Domingos 8 de fevereiro de 2019 on 14:12

    Você tem mãos que curam!
    Já lhe disse isso ao final da travessia do deserto.
    Obrigado por compartilhar tanta Luz conosco.
    Que a Força esteja com você!!!!

  • Adélia Maria Milani 31 de janeiro de 2019 on 11:57

    Gratidão! Manuscritos que nos guiam na escuridão! ☆☆♡♡♥

  • RENATA 30 de janeiro de 2019 on 14:22

    Gratidao pelos seus contos, sempre tocam minha alma

  • Aline Keny 25 de janeiro de 2019 on 20:27

    Acompanho seus textos há alguns anos, todos sempre maravilhosos, mas este, em especial, contou minha história de alma. Profunda Gratidão, Yoskhaz! Ahô.

  • Jéssica Perri 24 de janeiro de 2019 on 03:34

    Algo me disse que Cação Estrelada era Koda antes de ler a revelação … Me sinto de alguma forma conectada as histórias o que me traz fascínio pelos manuscritos, me admira o sincronismo com os fatos que vivêncio em minha vida. Sinto o impacto que essas histórias causam em meu ser, gosto de ler devagar e sem pressa para não perder nenhum detalhe, a magia sempre acontece, é mesmo impressionante!!! termino o texto sempre com uma sensação de paz, uma lição para desenvolver na pratica e um sentimento de gratidão, sei que cada texto é uma sementinha plantada no coração de cada leitor e cabe a cada um fazer germinar. Grata mais uma vez 🙏

  • Mirian 22 de janeiro de 2019 on 10:22

    Gratidão

  • Vidyapriya 19 de janeiro de 2019 on 12:24

    Que bom poder ter a Luz após termos mergulhado em Escuridões.
    Escolhas, atitudes, ações, experimentos, frequências, vibrações e energias.
    Namaste 🙏

  • Joane Faustino Araújo 15 de janeiro de 2019 on 16:39

    Gratidão 🌹♥️

  • Michelle 15 de janeiro de 2019 on 08:00

    “Existem várias portas. Apenas a escuridão permitiu ver em qual delas há luz por trás. Assim acontece na vida.”

    ❤️🌹

  • Adriana Dinoá Gonçalves 12 de janeiro de 2019 on 12:24

    Quantas revelações Yoskhaz..Gostaria de conhecer você..
    Gratidão pelo amor compartilhado através dos seus manuscritos…Procurando encontrar minha missão ..Assim como vc .. que achou e teve coragem de se entregar à ela..✨🙏🏻✨

  • Charles Lino 11 de janeiro de 2019 on 23:22

    Que texto , cadê o áudio ???

  • elvis 11 de janeiro de 2019 on 18:21

    Obrigado mestre Yoskhaz, por mais estes ensinamentos. Isto me lembra que somos barcos e a vida é um oceano, quando adoecemos ou acontece algo que nos para , é o momento da reflexão, é hora de ir para o estaleiro para o concerto do nosso barco, para que possamos continuar singrando os mares da vida. Que o universo te abençoe e ilumine hoje e sempre, e que seu barco continue nos oceanos.

  • Claudia Pires 11 de janeiro de 2019 on 10:40

    Para ouvir meu coração, tive que entender a minha escuridão . Ao ler seu manuscrito lembrei das minhas cicatrizes e que realmente só puderam ser curadas através do amor…. Depois do entendimento tudo fluiu. Sem escuridão não há evolução. Grata sempre.

  • Douglas 10 de janeiro de 2019 on 22:47

    Texto incrível
    Muita coisa rolo na semana e o que acabei de ler foi incrível
    Como de fato acontece uma sincronicidade quando você aplica o ensinamento do texto na sua vida
    Uma obra de arte
    Necessito dessas doses diárias de bia leitura
    Gratidão irmão

  • Verenice Zanchi 10 de janeiro de 2019 on 22:20

    Gratidão por me ajudar a ver o valor da escuridão. 🙏✨

  • Terumi 9 de janeiro de 2019 on 22:36

    Gratidão!! 🙏

  • Henrique Teixeira 9 de janeiro de 2019 on 18:21

    Bravo!

  • Cintia 9 de janeiro de 2019 on 17:37

    Nossa quanta sincronicidade…como esses textos acalmam meu coração e respondem as perguntas da minha alma. ..ainda não consigo enxergar a luz na escuridão. ..mas me enche de esperança ouvir as histórias da espiritualidade em águas profundas. ..um dia eu chego lá. ..rsrs…guardando com amor seus valiosos ensinamentos. Gratidão!

  • Itamar Vasques Pulido 9 de janeiro de 2019 on 13:26

    Maravilhoso!!! Obrigado!!!