Disciplina

Desde muito jovem eu tive dificuldades para lidar com autoridades e hierarquia. Receber ordens era algo que me incomodava. Disciplina estava ligada às questões ancestrais de dominação de um indivíduo sobre outro, subserviência, abusos emocionais e escravidão. Relações feudais entre suseranos e vassalos. Rebelde, eu fui avesso à disciplina pelos lugares por onde passei. Criava problemas, não raro, brigas. “Ninguém manda em mim”, repetia para quem quisesse ouvir. “Um homem para ser livre não pode obedecer a outro”, dizia para mim mesmo. Fui expulso de escolas e demitido de alguns empregos por insurreição. Nunca sequer cogitei mudar de postura, eu estava disposto a pagar “o preço da liberdade”. Contudo, tudo aquilo que fugimos, negamos ou escondemos costuma ser também o que nos explica.

Esse entendimento, no ápice de uma crise existencial, foi colocado à prova quando tive a oportunidade de ingressar na OEMM – Ordem Esotérica dos Monges da Montanha. Antes de ser aceito como membro da irmandade, fui convidado a passar por um período no mosteiro, estudando e conhecendo a sua estrutura e membros. Não bastava o desejo de fazer parte, eu tinha de estar alinhado aos princípios e valores da congregação, o que significava obedecer às suas regras e preceitos. Enquanto estudava, também era estudado. Os primeiros dias foi de puro encantamento. Fui recebido com gentileza por todos e, desde as aulas iniciais, pude perceber o tesouro que estavam me oferecendo. Não tive nenhuma dúvida que queria muito fazer parte de tudo aquilo. Até que, em uma manhã, um dos monges me entregou uma vassoura e pediu para eu varrer o jardim interno do mosteiro. Uma ventania à noite o deixara coberto de folhas. Sem pestanejar, me neguei. Argumentei que eu pagara uma certa quantia por aqueles dias de estadia e estudo. Eu era aluno, não um servente. Bento, como se chamava o monge, nada disse. Apenas fez um gesto com a cabeça como quem diz que entendia a minha colocação.

Fui para a aula. Era sobre o Bom Combate, o processo interno sobre como iluminar as nossas sombras pessoais tendo as virtudes como instrumento de libertação. Antônio, o monge que ministrou a aula, falou sobre o orgulho. Lembro bem das suas palavras: “O orgulho, assim como muitas das sombras, é uma máscara. Toda máscara é uma autoimagem idealizada que tem o intuito de nos proteger por meio de um personagem criado, muitas vezes na infância, e por isto oculto no inconsciente na fase adulta, para afastar o medo, a insegurança ou a sensação inconfessável de fragilidade”.

“Por ser uma autoimagem idealizada, a máscara nos distancia da realidade de quem verdadeiramente somos. Pela sua artificialidade, nunca irá alcançar os seus objetivos. Atrasará o processo evolutivo e intensificará o sofrimento na medida do quanto acreditarmos no personagem que criamos e vivemos, mas não somos”.

“Para manter a autoimagem construída, será necessário esconder do mundo, e também de nós mesmos, o quanto nos sentimos incapazes de superar as dificuldades inerentes a vida. Por precaução, o orgulho dispara rajadas de arrogância e granadas de soberba para afastar o perigo que se avizinha. O orgulhoso tem muito medo que descubram sobre as suas fragilidades. Então, ataca como tática de defesa”.

“Claro que nada disso é pensado de maneira consciente. Trata-se de uma estratégia montada, em tempos remotos, no inconsciente. O orgulhoso não se acha arrogante nem soberbo, ele precisa acreditar que é superior aos outros. Como tal, se arvora em direitos absurdos e se imagina com uma capacidade que ainda não possui. Ele não faz por maldade, mas por medo. Cria raciocínios tortuosos para justificar as suas atitudes. Utiliza-se de princípios nobres e valores virtuosos, de modo equivocado, para explicar a si mesmo que nada faz de mal ou de errado. Apenas exerce um suposto direito. Um direito irreal por ter como premissa uma autoimagem artificial”. Antônio ofereceu um exemplo simples e eficaz. Embora aparentemente absurdo, muito comum. Apenas costuma se apresentar disfarçado por diferentes aparências, mas com igual essência: “Se me acredito rei, vocês são meus súditos”.

A turma riu. Ele provocou: “Loucura, não? Mas não se esforcem para olhar para os lados antes de prestarem atenção em si mesmos”. O silêncio se instalou no mesmo instante.

Antônio explicou um pouco mais sobre algumas características do orgulhoso: “Irrita-se com facilidade diante dos inevitáveis contratempos da existência. Diz não ter paciência com a incompetência alheia. Contudo, no íntimo, o que o chateia diante da dificuldade é perceber a sua incapacidade de solucionar o problema que se apresenta. No íntimo, todo orgulhoso não aceita a própria fragilidade”. Fez uma pausa e sugeriu: “Pensem nisso na próxima vez que se irritarem com alguém”.

Deu de ombros e encerrou: “Contudo, somente ao admitir a fragilidade poderá iniciar a jornada de fortalecimento de si mesmo, intensificando as conexões internas para diminuir a dependência dos acontecimentos do mundo”. 

Ao término da aula, fui cumprimentar o monge pela esplêndida e reveladora explicação. Uma coerência de tamanha clareza que eu não entendia como os orgulhosos não se percebiam nessa situação. Antônio, que era psicanalista de profissão, explicou: “Lembre, são questões relativas ao inconsciente, portanto, não as percebemos. O único sintoma é o sofrimento, manifestado em tristeza, uma implosão; ou em agressividade, uma explosão. Enquanto não formos à causa do problema, entendermos a razão de ele ter construído essa rota de fuga e, como tal, um engano, não conseguiremos nos libertar da verdadeira prisão: as nossas criações mentais”.

“Embora todo orgulhoso se sinta dono do próprio nariz, e alguns até mesmo donos do mundo, não passam de tristes prisioneiros de si mesmo e das lembranças dolorosas do seu passado”.

“O orgulho é uma sombra ainda muito mal compreendida. Não raro, escuto as pessoas falarem: eu sinto muito orgulho de ter conquistado isso ou aquilo. Confundem orgulho com autoestima por ignorarem a diferença. O orgulho fala das vitórias a serem admiradas e aplaudidas pela plateia; a autoestima se alegra com as conquistas que transformam e iluminam a alma”.

Questionei se uma situação anulava a outra. Antônio explicou: “Não necessariamente. No entanto, é preciso entender qual delas é a sua prioridade”.

Agradeci ao Antônio. Eu estava encantado com o mosteiro e as inúmeras oportunidades de conhecimento que se apresentavam.  “Só um tolo não percebe a autoimagem idealizada que o limita e tortura”, eu pensava enquanto me dirigia para almoçar.

Naquele dia, era o monge Bento que estava à porta do refeitório orientando a acomodação de todos. Ele não permitiu entrar: “Você não está autorizado a almoçar conosco em razão da sua recusa em varrer o jardim”, explicou. Eu teria de procurar um restaurante. Falei que aquilo só poderia se tratar de uma brincadeira de mau gosto. Estávamos isolados no alto de uma montanha e a cidade mais próxima ficava a quase uma hora de carro. No mais, eu havia pagado por minha estadia e estudos, argumentei. Sem perder a serenidade, Bento explicou: “Sim, de fato, pagou. No entanto, isso não o isenta dos vários trabalhos indispensáveis ao bom funcionamento do mosteiro, que também fazem parte das atividades de aprendizado”. Acrescentou que eu tinha o direito de não aceitar as regras: “Você é um homem livre”, me lembrou. Caso em que eu deveria procurar o Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais antigo da Ordem, para pedir o meu desligamento e o devido ressarcimento.

Inconformado, fui ao gabinete do Velho. Como ele estava almoçando junto aos demais, tive de aguardar a sua volta, fato que aumentou ainda mais a minha irritação. Quando o bom monge retornou, me acolheu com gentileza. Notei que havia compaixão em seus olhos. Confesso que não gostei. “Não preciso que sintam piedade de mim. Não sou um miserável”, pensei. Um raciocínio típico de quem nada conhece sobre a humildade. Com um tom de voz alterado, reclamei do absurdo da situação e expus os meus motivos. O monge me ouviu com infinita paciência. Ao final, ponderou com a voz serena, sem se permitir contaminar com o meu descontrole: “A Ordem se norteia por princípios de igualdade e liberdade. Por sua vez, as escolhas são valores integralmente respeitados. Contudo, se faz indispensável que haja equilíbrio nas decisões e harmonia entre todos”.

“Creio que, assim como eu, você também deve se orientar pelos seus princípios mais nobres e os valorizar por intermédio das suas escolhas. A cada uma, agregamos ou desapegamos de algo em nós. Entender isto é primordial no Caminho”.

“O mosteiro é um local que prima pelo conhecimento como instrumento de superação das dificuldades e de cura para a alma. O conhecimento não se constrói somente com os livros e as aulas. O trabalho tem importância vital, pois assim como os estudos, é elemento indispensável ao progresso. Não me refiro apenas em relação ao mundo, mas quanto à própria alma. Sem trabalho, sem progresso. Não há como fugir desta equação”.

“Fazer parte da Ordem é se adequar as suas regras e preceitos. Contudo, ninguém está obrigado a se tornar um membro. Lembra que um dos nossos princípios é a liberdade? Todos podem sair quando assim entenderem melhor. Contudo, a igualdade também é um princípio do qual não abdicamos, pois cria os valores de justiça e honestidade imprescindíveis ao bem viver. Justiça e honestidade sustentam às relações saudáveis. Aqui todos estudam, aqui todos trabalham. Aprendemos e servimos. Servir é a escola formadora dos melhores mestres, pois só ela nos ensina sobre o amor”.

Abriu uma das gavetas da escrivaninha e pegou um maço de notas. Contou-as e me devolveu o valor integral que eu tinha pago e acrescentou de modo sincero: “Peço desculpas que isso não tenha sido dito antes de modo a deixar claro as relações que mantêm a Ordem”. Educadamente entregou o dinheiro em minhas mãos e disse: “A disciplina é fundamental à liberdade. A perfeita liberdade não é fazer somente aquilo que se deseja. Não existe liberdade sem dignidade. Não há dignidade sem que eu trate os outros como gosto de ser tratado. Além desta fronteira está o território dos abusos”.

Falei que não tinha entendido a última frase. Ele me explicou: “A liberdade de ninguém subsiste sem o respeito a liberdade alheia. Se eu não me disciplino a acatar a sua liberdade, não sou um homem livre, mas um carcereiro implacável, embora quase nunca me veja desta maneira. O mesmo conceito se aplica à igualdade. Se não aplico a você o mesmo que quero para mim, não sou um homem justo e digno, mas um pequeno tirano”.

“Todo trabalho que considero menor me desabilita ao seu desfrute. Beneficiar-me dele seria indigno por desrespeito ao princípio da igualdade. Se eu não me disciplinar não serei digno comigo nem justo com os outros”.

“Muitos torcem o nariz para a faxina. Mas já se deu conta de quão grandioso é um trabalho que deixa limpo e perfumado o local onde vivemos? Poucos estão disciplinados a este entendimento”.

“Quando desrespeito um trabalho por considerá-lo menor, deprecio quem o realizou. Demonstro minha incapacidade por uma linda virtude, a gratidão. Um gesto comum e muitas vezes imperceptível, no qual, em verdade, demonstro a minha incoerência quanto a mim mesmo, aos princípios e valores nobres que deveriam orientar as minhas escolhas e, por consequência, a minha vida. Sem gratidão não consigo relações justas e, por consequência, igualitárias. Assim, quando acontece, falto com respeito à minha essência, aquilo que tenho de mais vital e precioso. Afasto-me de mim e me aproximo do vazio da existência”. 

“Imagine um mundo no qual apenas você existisse. Neste caso, qual seria o valor da arte em ser livre?”.

Contestei. Aleguei que a liberdade é uma conquista interna. O monge concordou apenas em parte: “Sem dúvida que se trata de uma jornada pessoal. Todavia, somente será possível o seu exercício por meios dos relacionamentos que mantiver com toda gente”. 

“Quando falo de disciplina não me refiro a obediência oprimida pelos abusos emocionais, da submissão cega aos dogmas filosóficos nem da vassalagem na qual se anulam as escolhas e, sem elas, o próprio ser. Refiro-me a vigilância que cada um deve ter quanto à sua ética pessoal, que aos poucos deve ser reescrita por mãos aperfeiçoadas na caligrafia das virtudes. Ninguém nasce pronto. O aperfeiçoamento é diário e sem fim. Quem não se disciplina à luz acaba por se aprisionar às sombras”. Fez uma pausa e concluiu: “Sem disciplina o andarilho não caminha, sempre encontrará uma desculpa para conter o esforço do próximo passo. Acabamos inchados pela grande quantidade de desnecessidades e ilusões agregadas ao nosso ser. Sem disciplina não se consegue atravessar a porta das virtudes. Ela é muito estreita”. 

“Por mais genial que seja um artista, por mais habilidoso que seja um guerreiro, sem disciplina nenhum deles se tornará um mestre. A obra não será realizada nem a batalha será vencida”.

Desci a montanha com um gosto amargo na alma e me hospedei em um hotel na pequena e charmosa cidade que fica logo abaixo. “Minha vida, minhas regras”, disse para mim mesmo enquanto, deitado na cama, olhando para o teto, eu fazia uma ginástica intelectual intensa para construir um raciocínio que justificasse a escolha feita naquele dia. Consegui construir várias meias-verdades. Contudo, todas as meias-verdades juntas não erguem uma única verdade. 

Naquele instante entendi que eu teria uma vida na medida da coerência com os princípios e valores que estabelecesse para mim. Nem mais nem menos. Eu era livre para escolher a vida que teria, mas era necessário me disciplinar às regras que me levariam até ela.

Não existe liberdade sem respeito a si mesmo. Respeitar a si mesmo é ser coerente aos princípios virtuosos que norteiam a sua vida e aos valores que definem as suas escolhas. A coerência exige férrea disciplina interna. Não há evolução sem esforço. Esta é uma regra inexorável para quem almeja a alquimia da alma. Impossível transformar chumbo em ouro sem muitas horas de laboratório. Com pouca dedicação, toda criatividade restará desperdiçada. Sem disciplina, nenhuma genialidade construirá qualquer obra. A grande obra de arte é a confecção da própria vida. A disciplina é o seu tear.

Foi uma noite longa. Antes de o sol raiar, eu bati no portão do mosteiro. Foi o Velho que veio abrir. Ele segurava uma vassoura e tive a absurda sensação que esperava por mim. Deu de ombros e falou em tom de doce provocação ao me ver: “Ventou forte esta madrugada, o jardim está repleto de folhas espalhadas”. Em seguida acrescentou: “Temos de cuidar do jardim; ele nos é importante”. O Velho tinha um sorriso de garoto travesso no rosto. Sorri de volta ao perceber que havia poucas folhas espalhadas. A ventania a que ele se referia era a que tinha sacudido a minha alma naquela noite; as folhas espalhadas eram os pedaços que eu precisava juntar dentro de mim se algum dia quisesse me sentir inteiro. 

Peguei a vassoura das mãos do Velho e comecei a varrer. Ele tornou a sorrir, piscou um olho, como quem revela um segredo e comentou: “Antes de entender o que nos é verdadeiramente importante, jamais teremos um jardim”. Fez uma pausa e finalizou a lição: “A cada resposta de uma pergunta que até então tínhamos nos negado a fazer, nasce uma flor”.

“Mais importante do que o jardim são os princípios que o fazem existir”. 

Enquanto eu varria, comecei a me perguntar a origem e a razão para tanta dificuldade quanto à disciplina. Era somente a primeira pergunta. Como se adivinhasse os questionamentos que eu faria quando tornei a olhar para ele, o Velho girou nos calcanhares e me deixou a só. Era hora de também começar a aprender comigo mesmo. Muitas respostas estão nos livros e no mundo; outras, apenas na alma.

Vi quando o Velho se afastou com os seus passos lentos, porém, firmes, como devem ser os passos no Caminho.  

Imagem: Bakhli Taoufiq – Dreamstime.com

Discussões — 17 Respostas

  • Adélia Maria Milani 2 de janeiro de 2020 on 22:59

    Gratidão♡♡★☆★♡♥

  • Adélia Maria Milani 20 de dezembro de 2019 on 21:41

    Gratidão! !★★♡♡♡☆☆♥♥♡

  • Raul Reis 17 de dezembro de 2019 on 23:19

    🙏🏽

  • Hildes Torres 14 de dezembro de 2019 on 19:11

    Nossa! O que foi isso ?
    Grata Yoskhaz, grata, sempre!

  • Claudia Pires 14 de dezembro de 2019 on 15:55

    👏👏👏👏👏

  • Jailson 14 de dezembro de 2019 on 11:57

    Que tenhamos disciplina para ser realmente livres.

  • Marise 14 de dezembro de 2019 on 08:10

    Gratidão sempre!!!

  • Viviane Barbosa 13 de dezembro de 2019 on 21:47

    Gratidão infita.

    Boas vibrações.

  • Ana Bonafé 12 de dezembro de 2019 on 14:49

    Leitura edificante!!!

  • Joane Faustino 12 de dezembro de 2019 on 12:42

    ✨✨✨🌹♥️

  • Fernando Cesar Machado 11 de dezembro de 2019 on 01:10

    Gratidão profunda e sem fim irmão das estrelas,
    profunda e sem fim…

  • Hugo lima 10 de dezembro de 2019 on 23:57

    Muito obrigado

  • Terumi 10 de dezembro de 2019 on 22:52

    Gratidão! 🙏

  • Sandro 10 de dezembro de 2019 on 13:50

    Obrigado! De todo coração, muito OBRIGADO!
    Eu nunca fui uma pessoa disciplinada e tenho ainda hoje muita dificuldades com isso. Não me considero uma pessoa arrogante, mas nos meus momentos mais íntimos e calmos me percebo o quão arrogante eu sou.
    Acompanho as postagens há uns 3 anos e vejo o quanto suas palavras iluminam minha caminhada, sei que o caminho é difícil, mas me alegro ao saber que estou no caminho certo.
    Obrigado por serem LUZ na minha vida e de todos que tem a feliz oportunidade de ler seus textos.

  • Rafael 10 de dezembro de 2019 on 10:52

    Grandiosa lição sobre a temida disciplina, sem dúvidas um dos mais maiores desafios de minha vida. Parabéns pelos maravilhosos textos Yoskhaz, a anos vem trazendo luz a minha vida.

  • Michelle 10 de dezembro de 2019 on 09:10

    ❤️🌹

  • Jeane 10 de dezembro de 2019 on 09:00

    Maravilhoso texto!!!