O significado

A oficina de Loureiro, o sapateiro amante dos livros e dos vinhos, era famosa pelos seus horários inusitados de funcionamento na pequena e agradável cidade que se situa no sopé da montanha que abriga o mosteiro. Não tinha dia certo para abrir nem hora exata para fechar. O costume nos indicava que encontraríamos as suas luzes acesas a partir das três horas, ainda de madrugada, e as portas estariam fechadas ao meio-dia. Eu vinha do mosteiro após um período de estudos. Agora, cabia a mim a parte mais difícil, aquela em que precisamos ordenar intrinsecamente esses novos conteúdos para aplicá-los no dia a dia, sem o qual a nau não completaria a travessia e o tesouro se perderia nas zonas abissais dos mares da existência. 

Eram quatro horas da tarde. Havia muito tempo até a chegada do trem que me levaria à metrópole onde ficava o aeroporto mais próximo. As chances de encontrar a oficina aberta eram mínimas. Contudo, decidi conferir e apostar no inusitado. Os bons ventos estavam ao meu favor e me alegrei ao virar a esquina. O sapateiro acabara de fechar as portas do atelier e pegava a sua bicicleta encostada no poste em frente. Magro, alto, elegantemente vestido com uma camisa branca com as mangas dobradas até a altura do cotovelo, uma calça preta de fina alfaiataria e sapatos de couro feitos sob medida, com os fartos cabelos brancos penteados para trás e uma enorme agilidade, atípica à sua idade, Loureiro não me viu acenar, montou na bicicleta e partiu. Senti os ventos soprarem em sentido contrário. Acalmei a minha decepção para que ela não escalasse tons e pensei que nunca é um mau programa conversar um pouco consigo mesmo. Decidi ir a uma cafeteria muito agradável, distante alguns quarteirões. Café com reflexões será sempre uma boa mistura, pensei. Segui em paz. Quando chego a cafeteria, uma boa surpresa. A clássica bicicleta de Loureiro estava na porta. Os ventos tornaram a mudar de direção. Lembrei das palavras do Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais antigo do mosteiro: “Os ventos mudam de direção para nos ensinar a navegar por todas as situações. O medo desaparece quando descobrimos a nossa capacidade de vencer as tempestades. Não raro, as tempestades surgem a partir de pequenas contrariedades, basta que tenham força para nos irritar. Então, aumentam de intensidade de modo absurdo. Os ventos do mundo, por mais violentos que sejam, somente derrubam a sua paz se você permitir”. Em agradecimento, sorri.

Loureiro me recebeu com sincera alegria e trocamos um forte abraço. Acomodados à mesa, revelei que estava sedento por uma xícara de café, quando a simpática garçonete se aproximou para informar que a partir daquele horário a cafeteria se transformava em vineteria. Uma prática que ficava mais comum a cada dia. As minhas opções estavam restritas aos vários bons rótulos de vinhos. Olhei para Loureiro, que abriu os braços e sorriu de modo gaiato como quem diz que nada poderia fazer. Pedimos duas taças de tinto para embalar a conversa. 

Comentei sobre as ideias que me acompanhavam naqueles dias. Falei que sabemos mais do que somos e isto é natural, pois faz parte do processo de aprendizado. Aprender, transmutar, compartilhar e seguir, nesta sequência, são as quatro fases de cada um dos infinitos ciclos evolutivos. Não basta saber; é indispensável ser. Enquanto não transmutarmos o conhecimento de modo que se torne utilizável no exercício das nossas relações, ele permanecerá como uma ferramenta esquecida nas prateleiras da vida. 

Transformar o conhecimento em instrumento de bem-viver, embora seja uma ideia simples, apresenta uma enorme dificuldade de execução. Eu queria entender o motivo. Loureiro, bebeu um gole de vinho, arregalou os olhos como quem elogia o sabor e explicou: “Enquanto não entendermos o significado de cada coisa, ficará impossível de aplicar o saber para suavizar a aspereza aparente da vida. Até o amor, o mais sagrado dos sentimentos, resta prejudicado quando não entendemos o significado das circunstâncias que o envolvem”.

Neste instante, fomos surpreendidos pela chegada de uma das sobrinhas do sapateiro. O encontro se dera pela magia do acaso, a sincronicidade. Sofia, como a moça se chamava, estava bem abatida e as feições aparentavam desânimo. Ela tinha ido tomar uma taça de vinho e espairecer. Queria se distrair um pouco para não ser dominada pela tristeza, explicou ao tio. Loureiro sugeriu que se sentasse conosco e, sentindo-se à vontade, conversássemos sobre o motivo da sua aflição. Sofia não apenas aceitou o convite para se sentar, mas também para conversar com o sapateiro, famoso por alinhavar ideias tão bem como costurava o couro. Objetiva, foi direto ao assunto. Contou que viajara de férias ao exterior com a irmã em um passeio que planejaram nos mínimos detalhes e com enormes expectativas. Tudo aquilo que poderia dar certo, deu errado. Logo nos primeiros dias, a irmã se tornara agressiva sem nenhum motivo aparente. Sofia tentou, por duas vezes, conversar com a irmã para entender o que estava acontecendo, mas não teve sucesso, sendo repelida de modo ríspido assim que iniciava o diálogo. Os dias se sucederam de maneira desagradável. Com tamanha animosidade, os passeios ficavam sem sabor. Aos poucos, a viagem perdia o gosto. Como havia reservas de hotéis e um roteiro pelas cidades que visitariam, com todas as despesas previamente quitadas, e como não tinha dinheiro suficiente para abdicar do roteiro traçado, decidiu por seguir ao lado da irmã na esperança que fosse um mau humor momentâneo que sumiria no decorrer dos dias. Em vão. A viagem finalizara sem qualquer melhora e, pior, com um insuportável clima de hostilidade. Nunca fizera um passeio tão desagradável, onde perdera tempo, dinheiro e alegria, explicou. Passados quase um ano, a tristeza oriunda naquele passeio não arrefecera e, mais grave, se intensificara. Beirava o insuportável e lhe causava muito mal, confessou Sofia. Disse também não saber mais o que fazer para se livrar dessa tristeza. Temia que virasse uma depressão.

Loureiro ouviu a história da sobrinha sem qualquer interrupção. Deixou que as palavras esgotassem os fatos da maneira como ela os interpretava. Quando Sofia cansou de falar, o sapateiro iniciou: “A depressão nasce com o distanciamento entre o ego e a alma, quando a essência do ser se afasta das escolhas do viver. Longe de si, distante das maravilhas da vida”. Bebericou o vinho e prosseguiu: “No entanto, se faz indispensável entender quais sentimentos nos movimentam. Por mais paradoxal que possa parecer, há razões nos sentimentos, assim como existem sentimentos em nossas razões. Entender o exato significado deles é a pedra angular que permite retomar a rota rumo à Luz”. Deu de ombros e comentou: “Sem Luz, resta-nos a escuridão”.

Sofia pediu para o tio ser mais objetivo. Loureiro atendeu ao seu pedido: “Para começar, será preciso deixar de lado, por ora, as questões pessoais relativas à sua irmã, de quem gosto muito, mas que tem sérios problemas emocionais e existenciais. Enquanto não equacionados dentro dela, continuarão a funcionar como fonte de agressividade. Do jeito que tudo está confuso dentro dela, a vida lhe parece violenta e ela se acostumou a responder na mesma linguagem. Um diálogo que se sedimentou e enquanto não restar desmanchado para dar espaço a um novo jeito de conviver com ela própria e com o mundo, será causa de muita dor. Poucos se dão canta, mas os nossos relacionamentos apenas espelham o modo com o qual cada um convive consigo mesmo”. 

“Não duvide, embora possa não aparentar, pela postura orgulhosa disfarçada de independência do personagem que ela escolheu para viver, existe muito sofrimento naquele coração. Em algum momento, seja pelo esgotamento de forças, seja por não aguentar mais tantos conflitos, ela será levada a rever quem se tornou. Tomara que ocorra antes de a dor se tornar insuportável. Embora a agressividade seja sempre um pedido de socorro ainda não decodificado pelo agressor, teremos que esperar para ajudá-la. É impossível auxiliar quem acredita não precisar ou ainda não tem vontade de rever padrões e conceitos, filtros e lentes. Apenas esteja disponível para ajudar quando isso acontecer.”

“Por ora, apenas as atitudes luminosas por parte das pessoas próximas, e neste caso você poderá se incluir, podem fazer a sua irmã despertar que existe vida além da escuridão. Nesses momentos, as palavras têm pouca eficácia e o exemplo silencioso costuma causar melhor efeito. Os motivos são simples. Pessoas com o padrão de comportamento semelhantes ao dela estão envolvidas em orgulho e consideram uma humilhação aceitar conselhos ou admitir que escolheram valores equivocados para ser e viver. Os horizontes oferecidos através dos gestos sem palavra as fazem chegar as mesmíssimas conclusões, acreditando que encontraram as soluções por conta própria e, por isso, ficam mais suscetíveis às mudanças. Além, é claro, mais do que as palavras, as atitudes mostram que os comportamentos germinados em luz são possíveis e reais.”

“De outro lado, você está muito mal e precisa de cuidados. Ninguém é capaz de cuidar melhor da Sofia do que ela mesma. Ainda mais, somente a Sofia poderá acender a sua própria luz para afastar a escuridão que tanta agonia causa. Para tanto, se faz necessário entender o significado do seu sofrimento, sem o qual não haverá cura”. Pausou por instantes, como se soubesse do espanto que causaria, e disse: O que você verdadeiramente sente não é tristeza, é ódio”.

Ódio! Como assim? Não! A recusa foi veementemente. Ela jamais sentiria ódio da própria irmã, afirmou com convicção. Ficou até um pouco chateada pelo fato de o tio pensar que seria capaz de uma emoção tão densa e selvagem. Era uma pessoa boa, que fazia o bem por onde passava e tinha o amor como fio condutor da sua vida. A fase do ódio ficara na para trás e se tornara incompatível com quem se tornara. Pelo que se lembrava, havia muito tempo que não mais sentia ódio por ninguém. Sofia estava sendo honesta, pois acreditava na interpretação que tinha quanto aos seus próprios sentimentos.

Loureiro sabia disso e iniciou o raciocínio: “Quantas pessoas você conhece que se declaram invejosas?”. Sofia respondeu que nenhuma. O sapateiro prosseguiu ao estilo socrático: “Então, podemos concluir que a inveja está extinta no planeta?”. A sobrinha foi veemente em negar. Embora ninguém se assuma invejoso, eles existiam aos montes; ela conhecia vários. O tio seguiu: “Declarar que a emoção não existe tem força para fazer com que desapareça?”. A moça sacudiu a cabeça como quem diz que desta maneira é impossível. Loureiro aprofundou: “Como se torna uma criança que cresce sem a devida educação e direcionamento?”. Sofia fechou os olhos, como quem começava a entender, respondeu que provavelmente essa criança se tornará um adulto insuportável, acreditando que os seus desejos não têm limites e insistirá em controlar a vontade das pessoas ao seu redor. “Entende o que acontece quando negamos uma emoção?”. Bebeu um gole de vinho e lembrou: “Dentro de nós navegam todas as emoções. Saber conduzir e aportar cada uma delas define a aspereza ou a suavidade dos dias. Ignoremos, elas dominarão quem somos”. 

O sapateiro expandiu a ideia: “Há algumas maneiras de negarmos uma emoção que nos incomoda. A mais comum é a luta inglória de afastá-la da mente. Esforçamo-nos para sufocar uma emoção considerada inferior por nos envergonharmos de estar associado a ela. Afinal, ninguém gosta de se sentir invejoso, por exemplo. Entretanto, ao varrê-la para debaixo do consciente, ela irá se alojar no porão habitado pelos desconhecidos e renegados, o inconsciente. Ocorre que o porão é o maior cômodo da casa e, mais sério, está agregado aos alicerces que a mantém de pé. Quando fica lotado, precisa jogar para os andares de cima o conteúdo que não mais suporta. A casa treme e, se chegar ao ponto de os pilares ruírem, irá desabar”.

“A outra maneira, não menos grave, é a vã tentativa de mudar o significado das emoções. Ao invés de negar, fugimos. O jeito aparentemente mais fácil de fazer isso é atribuir um significado agradável às emoções que não gostaríamos de sentir. Então, tristeza é a leitura conveniente, porém enganadora, para o ódio. Não raro, tentamos nos enganar com as palavras; como ódio ou raiva possuem uma carga pesada em seu conteúdo, disfarçamos ao usar termos de menor peso como mágoa ou ressentimento. Podemos mudar as palavras, mas a emoção continuará a mesma. Serve apenas para entorpecer a consciência”.

“Não tenha medo nem vergonha das suas emoções, mas se preocupe em não se deixar dominar por elas”. 

“Olhar a verdadeira face de quem somos costuma causar muito desconforto. Contudo, não há outra maneira de identificar as feridas que tanto doem. Elas incomodam porque a sua alma está cansada de tanto sofrimento e clama por cura. Esse ato a torna pronta para a transformação”.   

“Apenas você poderá fazer isso por si mesma. Ninguém mais possui tal poder”. Olhou para a sobrinha com doçura e explicou: “Ao final da estrada sem fim, você perceberá que o mestre que a conduziu foi a sua própria consciência. A cada transformação, um passo de sabedoria e amor. Então, um pouco mais de Luz. O sofrimento, qualquer que seja, só sobrevive na escuridão”. 

O silêncio tomou conta da mesa. Sofia precisava arrumar aquelas ideias nos armários da mente e nas gavetas do coração. Mudei de assunto e conversamos sobre outras coisas em respeito ao tempo que ela precisava para metabolizar aquelas palavras. Ao pedirmos sanduiches servidos com o bom queijo da região para acompanhar o vinho, Sofia retomou o assunto: “Tio, você tem razão. Sinto muito ódio da minha irmã. Estragar a nossa viagem sem nenhum motivo foi muita maldade”. Era o movimento primordial. Em seguida, a sobrinha foi ao cerne da questão: “Não quero mais me sentir assim. O que eu faço com o meu ódio?”.

Loureiro franziu as sobrancelhas e disse com seriedade: “Perdoar é a resposta certa. Perdoar é educar as emoções densas que nos assolam. Educar significa aprender uma maneira diferente e melhor para ser e viver. Contudo, sem entender o significado do perdão, você não conseguirá. O perdão é um movimento de libertação das sombras que atormentam, da supremacia do amor por desmanchar o ódio e, não menos importante, de retomar a rota rumo à Luz. Enquanto o ódio perdurar, os guardiões fecharão os portais do Caminho e a impedirão de prosseguir”. Fez uma pausa e concluiu sobre o valor do perdão: “Enquanto ele não acontecer, você não conseguirá sair do lugar. Algo perigoso, pois, depois de algum tempo, tudo que está estagnado começa a apodrecer”. 

Sofia arregalou os olhos. Loureiro explicou: “Apodrecemos por falta de amor, carência de luz e ausência de evolução. Por ter desperdiçado as oportunidades de florescer, a alma se encolhe e retorna à semente. Distante da doçura da alma, resta ao ego a amargura da existência expressada em tristeza ou violência, a depender do caso”.

A moça quis saber como proceder para desmanchar o ódio. Loureiro foi claro: “Por inanição. O ódio é um veneno que, à medida que cresce, anula o amor. Entenda a sua insalubridade e desnecessidade; compreenda que o maior prejudicado pelo ódio é aquele que o cultiva. Pare de alimentá-lo para que perca força; somente quando enfraquecido, você conseguirá transformar a lagarta em borboleta”. Sofia fez um gesto com a mão para o tio continuar a explicação. Ele foi aos pormenores: “Para começar, seja firme para não deixar que bagunça existencial de uma pessoa consiga desmontar a sua estrutura interna. Confie na sua força, princípios e valores. Isto basta, pois a manterá na Luz”.

“A agressividade alheia não se impõe sozinha. Trata-se de um convite à escuridão. Não há a menor sensatez em aceitar a oferta para um passeio tão desagradável”.

“Ninguém precisa do ódio para nada de bom. As melhores coisas da vida não acontecem movidas pelo ódio. Trata-se uma escolha absurda aceitá-lo como mestre ou capataz”. Fez uma pausa para a sobrinha absorver a ideia e aprofundou: “O ódio nasce da ausência de amor e de sabedoria. A agressividade de qualquer pessoa não pode ter a força de nos arrastar para a escuridão onde ela se encontra. Isto somente acontece quando nos descuidamos ou ignoramos o poder da nossa própria Luz. Entenda que os enormes conflitos internos fazem que com que os princípios norteadores da sua irmã fiquem envoltos em névoa e os valores se confundam. Embora não perceba, ela está perdida no ambiente hostil que se tornou a sua existência, na qual a agressividade é a única linguagem, ao menos neste momento, que ela consegue articular. É algo triste e comum aos dias de hoje. Cada um, ao seu jeito e tempo, terá de fazer a trajetória de volta, aquela que levará ao um novo despertar da alma”. Tornou a dar uma pausa e concluiu: “Enquanto você sustentar o ódio como reação, viverá sob a influência da atmosfera inóspita criada pela sua irmã.”

Sofia admitiu que, visto por aquela ótica, não era sensato nem inteligente a manutenção do ódio. Loureiro comentou: “Essa é a importância de entendermos o significado de todas as coisas. Somente, então, a dificuldade ganha sentido para se tornar uma lição, o sagrado se revela através do mundano e a luz dissipa a escuridão”.  

“Ao diagnosticar erroneamente uma doença, o remédio receitado se mostrará ineficaz. Entender o significado de todas as coisas é um exercício constante de percepção e sensibilidade, essencial aos movimentos evolutivos.”

Sofia nos ofereceu um lindo sorriso, o primeiro daquele dia e, talvez, o único a que se permitiu nos últimos meses. Os seus olhos já mostravam nuances de um brilho diferente. Ela disse estar disposta a essa fundamental virada de postura como modo de resgatar a leveza da vida, ora perdida. 

Loureiro se virou para mim e perguntou sobre qual assunto conversávamos quando a sua sobrinha chegou. Lembrei que falávamos sobre a dificuldade de pormos em prática o conhecimento que possuíamos. O sapateiro finalizou a lição: “A dificuldade permanece porque adquirimos o conhecimento, mas esquecemos de entender o significado que o estrutura. É como se o conhecimento fosse o corpo e o significado se traduzisse na alma de todas as coisas. Esquecemos desta diferença, acabamos por esquecer a importância do significado e perdemos a essência do conhecimento. Daí, a dificuldade de aplicá-lo na prática. O significado é o trilho da verdade. O amor é o significado oculto por trás de cada conhecimento. Sem ele, não restará nenhuma sabedoria”.

“A função de cada conhecimento é nos conduzir a uma desconhecida maneira de amar mais e melhor. Antes de encontrá-la, o mais refinado saber será somente erudição.”

“Entender sobre os malefícios do ódio e as maravilhas do perdão se traduz em valioso conhecimento. Encontrar dentro de mim a vereda de amor que me conduzirá dos becos do ódio até as praias do perdão é compreender o significado de cada experiência”.

“Seja em si mesmo, seja no mundo ou fora dele, entender o significado de cada coisa é o ponto-chave da transmutação nos ciclos evolutivos”.

Sofia e eu, cada qual por suas razões, mas a um único tempo, tínhamos tido o privilégio de repartir uma mesma lição. Esvaziamos as taças de vinho. A moça disse que precisava ir. Deu beijo estalado na bochecha do tio e com sinceridade agradeceu pelas orientações quanto aos movimentos que teria de fazer para sair da escuridão. O sapateiro a lembrou que eram apenas os passos iniciais, no entanto, vitais à renovação: “O mais importante é não esquecer que todo o poder da luz também possui raízes no âmago de quem você verdadeiramente é. Essa é a fonte da vida”. 

Em seguida, disse que os meus olhos revelavam algo que eu não tinha dito. Confessei: “Pensei em como a Teoria do Significado se aplica à outra, a Teoria da Teia”. Loureiro sorriu e disse concordar balançando a cabeça. Sofia se mostrou interessada, puxou a cadeira e voltou a se sentar. 

Mas isso já é outra história.

Imagem: Chris Boswell – Dreamstime.com

Discussões — 12 Respostas

  • Gleiza Jordânia 7 de setembro de 2020 on 08:07

    Lindo texto!!!! Gratidão sempre 😊

  • Soraya 23 de agosto de 2020 on 10:36

    Lindo demais e efeito como sempre…. obrigada…

  • Terumi 16 de agosto de 2020 on 20:48

    Gratidão! 🙏

  • Adélia Maria Milani 3 de agosto de 2020 on 23:06

    Gratidão!!!!!!

  • Carlos 29 de julho de 2020 on 22:31

    PERDOAR NÃO É FÁCIL, PRINCIPALMENTE QUANDO A CAUSA NÃO MOSTRA ARREPENDIMENTO MAS PODE SER RACIONALIZADO: PERDOAR SIM, PORÉM SEM APEGO.

  • Santana 27 de julho de 2020 on 23:12

    🙏🏽🌵

  • SCHWEITZER 22 de julho de 2020 on 16:22

    Sem amor brota o odio. Genial meu querido. Genial.

  • Jeane Santos 20 de julho de 2020 on 10:37

    Linda lição!!! Gratidão!!!

  • Pablo 20 de julho de 2020 on 02:37

    Gracias!!!

  • Andre Menezes 20 de julho de 2020 on 00:47

    Gratidão por mais essa importante lição.

  • Joane 19 de julho de 2020 on 17:09

    Yoskhaz você é um mago da luz na minha vida, sempre trazendo uma lição a se aprendida …minha profunda gratidão

  • Fernando Cesar Machado 19 de julho de 2020 on 07:33

    Como sempre e cada vez mais intensa, a mais profunda e sem fim gratidão irmão das estrelas…sincera gratidão