Milagres são transformações ocultas em nós.

“O que chamamos de magia em outras Tradições recebe o nome de milagre. Muda-se o nome, mas é a mesma força e poder”, falou Canção Estrelada, ancião nativo do Povo do Caminho Vermelho, enquanto preparava o cachimbo de fornilho de pedra. Estávamos sentados em volta de uma pequena fogueira sob o manto fantástico da Via Láctea a nos provocar indagações sobre os mistérios do universo. Esperei que ele desse uma pequena baforada e, assim, convidasse seus ancestrais que já cavalgam com o vento para participar da nossa conversa. Depois me fitou com as labaredas refletidas em seus olhos e explicou: “Magias ou milagres são como chamamos transformações que ainda não conseguimos explicar. O importante é entender que você é parte do milagre, assim como a semente só germina se encontrar solo fértil. Cada qual é o seu do próprio jardineiro, que sem o devido trabalho nenhuma rosa fará florescer. O sol e a chuva são para todos, porém a semeadura é pessoal e intransferível. O essencial é entender que cada qual tem que fazer a sua parte para se encantar com a magia da vida”.

Explicou, ainda, que existe um intercâmbio incessante entre esferas, porém os aliados do plano invisível somente podem intensificar o trabalho conosco se estivermos preparados: “Somos os pilares da ponte em que atravessam; portanto, quanto mais firmes forem os alicerces, maior o trânsito deles. Sem o aperfeiçoamento de um código moral próprio, onde não se pratique nenhum mal a qualquer coisa ou pessoa, não se chega a lugar nenhum. Tais conceitos são os sólidos fundamentos da alma”, acrescentou.

A maturidade traz em si a verdadeira liberdade.

“A maturidade nada mais é do que o entendimento de si e a disposição de se transformar. Isto é libertador”, disse o Velho enquanto procurávamos cogumelos em uma floresta próxima ao mosteiro depois de uma noite de chuva. O sol brilhava por entre as folhas, lambia nossos rostos e aquecia na manhã ainda fria. “Entender quem somos, nossas dificuldades e belezas, permite que deixemos para trás o que em nós não serve mais e abre a perspectiva de inventar o que queremos ser. Este é o poder do Caminho”, complementou. Um belo rouxinol pousou em um galho de uma árvore próxima e nos presenteou com uma pequena sinfonia, só encontrada nas matas. Depois alçou voo. Comentei que todos gostariam de ter asas como os pássaros para alcançar as alturas. Ele retrucou de plano: “Pássaros voam por determinismo biológico. As asas da liberdade são metafóricas, fruto da sabedoria e do amor, flor das escolhas que se faz a cada passo do Caminho”.

Falei que Mahatma Gandhi certa vez, quando preso, comentou que há homens mais livres nas celas no que vagando pelas ruas. O velho retrucou: “Gandhi era um iniciado, uma alma antiga e iluminada. Claro que não falava das mentes sombrias que enveredaram pelas raias da criminalidade e da ignorância. Ele se referia à liberdade do pensar desperto dos preconceitos e condicionamentos culturais e sociais. A liberdade de pensar além; de perceber que as mais cruéis prisões são aquelas que não têm grades”. Parou um pouco e concluiu: “Liberdade é muito mais do que o direito de vagar a esmo pelas ruas ou levar uma vida completamente descompromissada. Isto, em geral, caracteriza os foragidos da vida. Estes costumam estar aprisionados no pior dos cárceres, a própria consciência. A verdadeira liberdade traz em si a responsabilidade. A responsabilidade por suas escolhas e compromissos. Temos compromisso com tudo que amamos e na medida que ampliamos a nossa esfera amorosa crescem as nossas asas, nos permitindo voos cada vez mais altos. Nossas asas têm o tamanho de nossos corações. As nossas escolhas, por sua vez, geram consequências e temos que nos responsabilizar por elas. A serenidade deste entendimento, ainda que isto signifique mais esforço e trabalho, pois cada qual terá os desafios próprios ao seu aprendizado, chama-se maturidade”.

Isto não têm importância.

A magia da vida acontece enquanto vivemos as coisas banais do dia a dia, dizia o Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais antigo do mosteiro. Lembro disto ao perceber como desperdiçamos tempo e energia em situações que não têm nenhuma importância para as nossas vidas e, desta maneira, terminamos por atrasar a fantástica viagem ao permitir que naveguemos em círculos. “Isto não tem importância” é um mantra de uma única frase que ele repetia e ensinava o tempo todo. Todos os dias há pelo menos um momento mágico que pode transformar a vida. O segredo para ver e atravessar esse portal reside em suas escolhas e, para exercê-las com plenitude, não se pode estar distraído ou enfraquecido com o que não tem importância. As urgentes desnecessidades são armadilhas do Caminho.

O sagrado mora no seu coração.

Certa vez assisti a um filme, desses hollywoodianos, com muita ação, onde o protagonista era um frio assassino profissional que passa a ser perseguido tanto pela polícia quanto pela máfia. Sua aparente indiferença em relação a qualquer tipo de sentimento era a tônica da sua personalidade e a principal razão de sua nefasta eficiência. No entanto, durante a sua fuga carregou por todo o tempo um vaso de plantas, salvo engano, pois faz muito tempo, com uma orquídea. Aquela singela flor era o depositário de todo e único amor que esse homem conhecia. Ele se preocupava com ela, pois era preciso que a colocasse no sol, regasse, vigiasse de eventuais pragas para que não morresse. A planta era motivo de preocupação, pois dependia completamente dele para continuar viva; a orquídea tinha a capacidade de fazer florescer o melhor de um homem embrutecido em sua consciência. Aquela flor era sagrada.

Sagrado é tudo aquilo que nos religa à divindade, que permite que possamos exercitar nossos sentimentos mais nobres, nos ensina a ser pessoas melhores e alavanca a nossa evolução. Em um pequeno altar que tenho em casa há vários objetos aparentemente mundanos, mas que trazem tamanha significação pessoal que os tornam sagrados para mim. Algumas pessoas mais distraídas nem percebem que ali reside importante parte do meu templo. Por exemplo, tenho três malabares de circo. Quando me recolho para as minhas reflexões, meditações e orações eles me lembram que distribuir alegria por onde passar é a melhor forma de agradecer a Vida pelas bênçãos e lições disponibilizadas a mim durante a jornada. Eles são sagrados para mim.

O sagrado está oculto no profano.

As mais belas histórias são as de superação.

Não raro escuto pessoas dizendo que fariam tudo “exatamente igual” se iniciassem novamente a sua trajetória de vida. Se é apenas uma alusão a como aprenderam com os próprios erros e como eles ajudaram a chegar onde estão, entendo. Sim, por vezes, os erros são preciosos mestres que nos oferecem valiosas lições, embora a vida disponibilize outros, como a percepção e o amor, que permitem encurtar tempo e pavimentar a estrada. São as mesmas lições oferecidas pelo erro, porém ministradas de maneira suave, afinal aprende-se por imposição ou gosto. A escolha é sempre nossa. No entanto, na maioria dos casos vejo alguns amigos sustentando verbalmente a repetição da trajetória de vida por vergonha, negação ou orgulho. Pena, pois a não aceitação do próprio caminho trilhado impede de entendermos quem realmente somos, por consequência, não permite ver as transformações que devemos operar em nós, atrasando a viagem evolutiva e, assim, a paz da plenitude que tanto ansiamos.

Revejo a minha história e, grato às duras lições que o erro me ofereceu, percebo que poderia fazer diferente. Pessoas que magoei, voltas em círculos que dei por teimosia, tempo e energia desperdiçados com situações que não tinham nenhuma importância e por aí vai. A lista é enorme. É verdade que aquele era o meu nível de consciência naquele momento e ali eu não conseguia perceber que poderia fazer de outra maneira. Sim, sempre é possível fazer diferente e melhor.

Embora ainda muito longe de onde tenho que chegar, já não sou o mesmo da partida. Mudou o olhar e o viver. Não é assim com todos nós?

Só há coragem onde antes existia o medo.

As histórias de ficção encantam a humanidade desde o início dos tempos porque revelam segredos escondidos no inconsciente. Embora interfiram em nosso jeito de ser, não raro, demoram a ser decodificados. Justamente lá, no inconsciente, por ser território selvagem, as sombras atuam e terminam por alterar nossas vidas. Através das aventuras imaginárias narradas nos livros ou nas telas, o herói enfrenta vilões perigosos, encontra dificuldades inesperadas, precisa superar limites, aprende com perdas e frustrações para no final encontrar o maior tesouro: ele próprio.

A ficção, no fundo, conta a história de cada um de nós disfarçada com outra roupa, cenário e maquiagem. A necessidade que temos do herói nasce ao identificarmos a coragem indispensável para enfrentar nossos dragões e permitir que o melhor em nós floresça. O guardião dessa ponte que todos precisam atravessar é o medo.

Jardineiro da alma.

“Somos herdeiros de nós mesmos”, disse o Velho, como carinhosamente chamávamos o mais antigo monge da Ordem. Subíamos uma pequena montanha próxima ao mosteiro por uma estreita trilha em uma manhã ainda fria da primavera. Éramos recepcionados por pequenas e coloridas flores silvestres que já mostravam todo o esplendor da estação e, subliminarmente, nos ensinavam a lição das fases da vida: após o rigor do inverno, que é indispensável para fortalecer a determinação do espírito, chegará a doçura da primavera a acalentar o coração. Todos os ciclos pessoais – o Caminho é um grande ciclo formado por inúmeros ciclos menores – têm a sua razão de ser e encerram valiosos ensinamentos ocultos e indispensáveis à evolução. Situações conflitantes e recorrentes a ponto de nos perguntarmos a razão da aparente repetição, revela nada mais do que a recusa em mudar a nossa maneira de olhar e agir, de entender e fazer diferente, enfim, de evoluir. Aprendida a lição, encerra-se aquele ciclo e, inexoravelmente, um novo se apresentará com outros momentos, livre dos velhos problemas. “Quem reclama do Caminho é porque não quer mudar o seu jeito de caminhar”, comentou com seu jeito peculiar de falar.

O ego deseja brilho, a alma anseia por luz.

 

Somente a clareza de entender realmente quem se é poderá te transformar na pessoa que buscas em ti. O ego, a parcela da consciência mais ligada às sensações primárias e imediatas, repleto de condicionamentos sociais e ancestrais, pensa te proteger ao criar um personagem moldado em modelo de suposta aceitação e admiração que ilude sobre o sentido da existência. O ego impulsiona o indivíduo a ser o mais belo, rico e importante, alimentando o vício do aplauso fácil na esteira do brilho efêmero no show das ilusões terrestres de prazeres baratos, resultados vazios e soluções improdutivas. As consequências, imediatas ou não, mas que um dia virão, são o sofrimento e as dificuldades nas relações pessoais. Além do desgosto consigo próprio. O ego, repleto de boas intenções, inventa virtudes que ainda não exercemos, direitos que não possuímos e, comumente nos vitimiza em relação aos movimentos do mundo, criando falsos motivos de revolta. Ou, ainda, nos força a fugir da realidade quando desagradável. Em qualquer dos casos leva à estagnação ao impedir de enfrentar a situação com a maturidade necessária para entender, se transformar, compartilhar e seguir adiante.

Ser gente nunca sai de moda.

A necessidade de andar na moda, a aflição inconsciente de estar em sintonia com o que se imagina ser moderno, revela uma busca por identificação e aceitação, uma vontade, em geral não percebida, de encontrar um lugar para se viver em paz. A moda nasce da necessidade cultural das pessoas de entender quem são e aonde caminham. Roupas, acessórios, carros, ideias enlatadas, maneiras de agir e falar tentam desesperadamente rotular o ser na tentativa de fazê-lo acreditar que pela casca se reconhece o valor da fruta. Em vão.

Perde-se a beleza de inventar a si próprio e a força de ser único. A moda traz consigo o perigo de projetar um suposto ideal que com certeza não somos.

O limite da forma estabelece fronteiras. Qualquer modelo pronto a ser usado rouba a originalidade do indivíduo, a beleza dos voos solos em altitudes inimagináveis, onde, só então, se defrontará com mundos e possibilidades apenas acessíveis a quem ousa ir além da normalidade e das permissões mundanas. O exercício da criatividade desenvolve as asas da liberdade.

A vida exige leveza.

“De quanto menos eu preciso mais livre sou. A liberdade traz consigo a leveza do espírito”, me disse um velho e sábio xamã do Povo Nativo do Caminho Vermelho sentado ao redor de uma fogueira em uma noite às vésperas do Pothlach. Canção Estrelada, como passou a ser conhecido depois que descobriu seu dom de iluminar o caminho das pessoas do seu clã através da palavra, cantada ou não, como uma lanterna de proa que mostra as ondas que estão por vir, explicava com paciência, para mim, a cerimônia do dia seguinte, onde cada um doaria objeto que lhe fosse precioso.

O despego a bens materiais é um bom  exercício para ajudar na renovação de ideias e conceitos que, às vezes, por estarem obsoletos, nos atrapalham na jornada. O simbolismo do ritual consiste em que cada um veja e entenda a necessidade de se renovar emocional, intelectual e espiritualmente. Ao abrir mão de algo de que somos apegados, aprendemos a transformar sentimentos e pensamentos que, por guardarmos inutilmente, se tornam pesados e atrapalham a caminhada. Entendemos que tudo pode ser diferente. A vida exige leveza.

O caos é do bem.

Usualmente usamos a palavra caos para nos referir a uma situação de desordem e confusão no mundo ou em nossas vidas. Em diversas tradições mitológicas o caos significa um vazio sem forma e ilimitado que propiciou o surgimento do universo. Na tradição platônica é um estado de desarmonia que precede uma nova ordem. O I Ching ensina que o caos traz a tempestade que permite a vida de novo florir. Na Física o termo é utilizado para explicar um sistema dinâmico que evolui de acordo com lei determinista, sensível a pequenas alterações iniciais. De certa maneira todas as definições se encaixam.

O caos é uma alavanca para a evolução. Pessoal e de toda a humanidade.

A lei da evolução é inexorável. Avançamos por gosto ou imposição, o que vai determinar o grau de dificuldade e o tempo do processo. O entendimento e as escolhas determinam a cada um as dores e as delícias da travessia.

Suas asas têm o tamanho do seu coração.

 

Não raro nos vemos na beira do abismo. Conflitos afetivos, problemas profissionais, rusgas familiares se assemelham em figura ao despenhadeiro que nos ameaça em queda e furta a paz. A vontade sincera de mudar o rumo de nossas vidas, iniciando novo trabalho mais adequado aos nossos verdadeiros dons e talentos, um relacionamento amoroso despido de mentiras e preconceitos, uma nova linha a costurar o esgarçado tecido familiar cujo desgaste, de tão antigo, se perdeu nos becos da memória são questões atuais que assolam a todos em gritos silenciosos no âmago de consciências e corações.

Qual a maneira mais sábia de atravessar um escaldante deserto, com seus inerentes perigos, ausências de água e vida, serpentes e escorpiões que lhe habitam? Qual o jeito mais inteligente de alcançar o cume da montanha enfrentando a aspereza da rocha vertical e do vento forte a assobiar em seus ouvidos sobre o perigo de iminente queda?

Ser é muito além de estar.

 

Todo texto ou palavra é sagrada se tem a força de iluminar o caminho. Dos muitos livros que nos servem de lanterna em auxílio nessa infinita e fantástica viagem, a Bíblia se mantêm como fonte inesgotável de sabedoria e amor, elementos indispensáveis para a nossa transmutação pessoal. Assim, aos poucos, transformamos o mundo.

Narram os evangelistas, em várias passagens dos quatro livros, que Jesus ao entrar em qualquer casa ou repartição saudava a todos com seu jeito sereno, “que a paz seja convosco”!

Por algum tempo acreditei se tratar de erro de tradução, vez que a Escritura foi escrita em aramaico para posteriormente ser traduzida para o grego e somente depois levada aos demais idiomas. Todos sabemos da dificuldade de trasladar uma língua em outra. Achava que o verbo correto seria esteja no lugar de seja. “Que a paz esteja convosco” me parecia a construção correta e, pelo visto, para muitos outros, pois já vi textos e sacerdotes assim se referindo a palavra do mestre. Eu estava errado.

Escravos contemporâneos.

 

Um dia você cansa de si mesmo. Da paisagem desbotada do seu quarto escuro, de ser o seu próprio carcereiro. Sim, as prisões mais cruéis tecem suas grades na engenharia de ideias enlatadas, preconceitos ou covardias impostas por medos alheios e ancestrais. Ou por alguém. Chegada a hora de experimentar as asas que sempre foram suas e nunca usadas. Então, você se lança em um voo absurdo nas profundezas coloridas e alturas iluminadas de um universo desconhecido e fantástico que se descortina na medida da sua leveza, coragem e ousadia. É assim que acontece quando se assume o protagonismo da própria vida. O poder, a magia e o encantamento são seus, pegue-os de volta!

Por vezes estamos aprisionados por conceitos que nos foram impostos e simplesmente aceitamos por medo ou comodidade, noutras subjugados por pessoas que, por algum motivo, não conseguimos nos insurgir contra a dominação permitida. As pessoas só têm sobre você o poder que você concede a elas. Entender este simples conceito é se olhar forte diante do espelho da vida.

A cura pela verdade.

 

Os povos nativos americanos, adeptos do xamanismo, têm um símbolo sagrado chamado Roda de Cura ou Roda da Vida. Não à toa, entendem que viver é um processo infinito de cura, caminhar em beleza pela infinita estrada da vida, nas palavras de um ancião Navajo. O símbolo tem a sagrada missão de nos lembrar que através de nossas relações vamos encontrar o remédio ou o veneno para as nossas dores. Na medida que aprendemos quem somos e pacificamos o nosso convívio com tudo e com todos saltamos um aro na Roda da Vida. Ficamos mais forte para seguir adiante.

Alquimistas modernos

 

Um dos grandes sonhos da humanidade através dos tempos é transformar ferro em ouro. O outro é a imortalidade. Assim, a humanidade atravessou os séculos a alimentar a ambição de viver para sempre, de maneira nababesca e sem o esforço do trabalho cotidiano. Bastaria um pedaço de metal barato no caldeirão em ebulição para que transformasse a mais antiga e preciosa mercadoria que o mercado tem notícia. Castelos luxuosos, mesa farta, prazeres todos para todo o sempre.

Existe uma boa literatura medieval desses cientistas que sobreviveu às explosões e ao tempo. Todas com criptografias próprias, como em códigos para que apenas os iniciados em assuntos esotéricos, fossem capazes de ler. Para alguns o motivo do segredo seria resguardar a fórmula que garantiria a transformação e a fortuna, pois se o valioso metal estivesse disponível a todos perderia o seu nobre valor. Outros têm certeza que tudo isso é uma grande bobagem.

O homem vive através dos séculos conforme seu nível de consciência a trazer para si as exatas experiências essenciais ao seu aprendizado. Culturas distintas se misturam propositalmente para que uns aprendam com outros e ensinem a alguns. Numa corrente invisível a humanidade cria elos de liberdade e unidade.

O livre pensar não é só pensar.

 

As piores prisões são as que não têm grades. A ilusão da liberdade é o mais cruel dos cárceres por não te permitir a consciência dos limites da suas escolhas, de não perceber que suas fronteiras estão cada vez mais estreitas e, ao contrário do que parece, apenas limita o tamanho e empalidece as cores do seu mundo. O livre pensar, a autonomia das ideias, o espaço para aceitar o diferente exige esforço, ousadia e coragem, mercadorias raras nas prateleiras dos corações e mentes.

O desequilíbrio é fundamental.

 

A vida é uma infinita e fantástica viagem a caminho da luz. Esta vida é apenas um trecho da estrada. Viajar significa evoluir; evoluir exige transformação. Ninguém nasce pronto. Entender que o que trouxemos na mochila até aqui nos foi útil, mas pode não nos servir mais, é sinal de sabedoria. Se faz necessário deixar algumas coisas para trás para dar lugar a outras. Reinventar-se todos os dias. Nada nos atrasa tanto quanto o trem perdido do preconceito, o voo cancelado das ideias obsoletas e o beco sem saída da atitudes ultrapassadas. Orgulho, vaidade e teimosia são pedras pesadas que, não raro, guardamos escondidas no fundo da mala, debaixo da blusa do ciúme e da calça do egoísmo. Precisamos de leveza para andar. É fundamental abrirmos espaço para o novo, trocarmos a bagagem.

Analise a sua mochila com carinho. O amor é o melhor manual para te indicar o conteúdo essencial.

O problema não é o problema.

 

O problema não é o problema, mas a incapacidade de prosseguir diante da adversidade. É a perda da possibilidade de transformação, uma decisão puramente interna, que depende apenas de si próprio. Você terá dois interlocutores durante esse processo: o ego que o fará sentir injustiçado, pois tem a certeza que não era merecedor dos difíceis acontecimentos e lhe aplicará a mais insalubre prisão, a vitimização. Do outro lado temos a alma, o espírito eterno que somos, que anseia por evolução e sabe que a covardia não muda a realidade.
A dificuldade é grave? Morte, doenças com sequelas irreversíveis, amores que se vão, falências dolorosas… E daí?… Impossível reverter externamente? Pode ser a Vida sinalizando que as mudanças devem ser dentro de nós.
Não, não é fácil e ninguém falou ao contrário.
Você fala assim porque não foi contigo, gritarão muitos. Não foi, não desta vez. Todos, sem exceção, enfrentam suas batalhas.
Cada um tem os problemas na exata razão da necessidade da sua evolução. O ego do sofredor tem uma dificuldade enorme de entender isto. Afinal somos todos do bem e quase perfeitos, não é assim? Sim e não. Todos caminhamos para a plenitude, porém a estrada é longa e se torna esburacada na medida que o andarilho teima em pisar torto. A falta de entendimento da maneira correta de andar torna a viagem mais difícil e demorada. Quer mudar o Caminho? Basta mudar o seu jeito de caminhar. Entenda que você pode se arrastar ou voar durante a travessia e esta escolha é toda sua. Patas ou asas? Basta que entenda, evolua e transforme a si próprio. As tradições xamânicas, que buscam a sabedoria na natureza, ensinam que essa é a lição da borboleta. O poder é seu.
Simples assim? Sim e não.

A magia das palavras

 

Todos somos feiticeiros e a palavra é o principal ingrediente do caldeirão. Através do que é dito ou escrito podemos convidar os povos a dançar, semeando alegria e esperança ou construir muros, espalhando ódio e medo. Este é o poder e ele é seu. Assim, cada manifestação se torna um ato de magia e define qual tipo de feiticeiro escolhemos ser.