Relações superficiais

Era um dia como outro qualquer no mosteiro. Não, não era. Um dia nunca é igual ao outro. Se for, há algo de errado. Significa que perdemos a capacidade de enxergar além da superfície dos acontecimentos ou que estejamos fugindo de alguma coisa. Não raro, de nós mesmos. Com a devida correção, vamos recomeçar esta história. Os dias transcorriam com aparente normalidade no mosteiro. Por que aparente? Porque os impulsos internos que movem um indivíduo nem sempre se revelam com facilidade aos olhares pouco perceptivos ou insensíveis. O outro importa; todas as vidas importam. Porém, pode se tratar de um discurso moralmente perfeito, merecedor de admiração e aplausos, no qual o indivíduo se coloca além das críticas.  Mas, ao se abster de qualquer ação correspondente ao discurso, este restará vazio. De outro lado, mesmo no silêncio das palavras, pode haver uma atitude amorosa, praticada em sigilo, porém, dignificada na grandeza do agir. A ética constrói os trilhos da evolução; o amor será sempre a indispensável locomotiva a nos conduzir ao destino.

Vamos recomeçar mais uma vez. Era um dia típico no mosteiro. Havia tranquilidade e movimento. Os monges se mostravam empenhados em seus estudos, nas práticas de reflexão e nas palestras. Esta última atividade era muito interessante e animada, embora, por vezes, gerasse debates acalorados. De vez em quando descambavam em discussões. A irritação é um dos pressupostos necessários às abomináveis discussões. Por serem desnecessárias, quando acontece, significa que o trem descarrilhou. Eu preciso entender as palavras que tiveram poder de me arrancar dos trilhos para que não mais aconteça uma colisão. Sim, quando me irrito significa que houve um desastre dentro de mim. Haverá danos. Alguns muitos sérios; é preciso saber evitá-los. 

Porém, não era o caso daquele dia, no qual havia ordem, disciplina, respeito e tranquilidade. Todos se mostravam solícitos e interessados em aprender e colaborar. Os diversos cursos eram ministrados nas salas menores do mosteiro. O grande salão era reservado às palestras, quando as diversas turmas se reuniam. Lá também eram realizadas as sessões de debates sobre algum assunto pré-selecionado, após os períodos destinados as reflexões. Estudar, pensar, conversar e voltar a pensar é um exercício simples e necessário. Sempre há algo a ser acrescido em nós. Quando surge uma ideia nova para desmontar outra que acreditávamos definitiva, remodelamos a nossa oficina intrínseca. Descobriremos diferentes métodos para fixar alguma parte do trilho que insistia em soltar; isto evitará que o trem volte a descarrilhar na mesma curva. Será possível, também, a troca de alguma peça que modifique a potência do motor da locomotiva, possibilitando que avance montanha acima, chegando a um lugar, até então, inatingível. 

Klaus era um monge muito estimado por todos no mosteiro. Educado e prestativo, sempre indagava pela família e o trabalho dos demais monges quando retornávamos para um novo período de estudos. Tinha a fala mansa e o olhar firme. Eu nunca tive dúvida quanto a paz e a sabedoria que habitavam naquele homem. Daquela vez não foi diferente. Ao me encontrar, quis saber sobre as minhas filhas e mulher; em seguida me fez perguntas sobre o meu trabalho. Senti-me satisfeito pelo seu interesse por assuntos que me eram da maior importância. A minha vida importava para ele. Antes que eu pudesse retribuir igual interesse, em breves palavras, ele começou a traçar alguns comentários sobre a crise econômica que abalava o mundo. Estávamos nos anos iniciais do Século XXI. Os ensinamentos trazidos pela crise financeira mundialtinha sido o assunto definido para reflexão e posterior debate naquele período de estudos no mosteiro. Quais mudanças intrínsecas os graves acontecimentos ocorridos no mundo me permitiriam? Um entendimento que precisa ser construído para que as dificuldades vividas não restem desperdiçadas. Logo após, pediu licença, pois a aula do curso no qual estava inscrito, logo começaria. Afastei-me com a nítida sensação de que Klaus era um bom exemplo de equilíbrio e virtudes. Talvez, um dos monges mais preparados da Ordem. 

Notei que o Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais antigo do mosteiro, nos observava enquanto aparava os espinhos das roseiras do jardim interno. Quando nossos olhares se encontraram, com um gesto singelo, pediu para que eu me aproximasse. Então, alertou: “Preste atenção no Klaus. Ele precisa de ajuda”. Contestei de imediato. O Klaus era um centro vivo de força serena e equilíbrio inabalável. O Velho me lembrou: “Nem sempre o olhar firme significa segurança; nem sempre a fala tranquila significa harmonia; nem sempre a polidez significa uma genuína delicadeza ou um autêntico interesse. Para olhares distraídos, o comportamento de uma pessoa nem sempre revelará as verdadeiras características da sua personalidade. Tampouco, os conflitos que atormentam o seu coração. Para a exata leitura de qualquer livro há que se buscar as palavras que nunca foram escritas. Sem elas a compreensão da história ficará incompleta. Assim é com todos nós”. 

Insisti que aquele olhar estava equivocado. O Velho me ofereceu alguns indicativos que sustentavam os seus argumentos: “Ano após ano, a cada ciclo de estudos a timidez do Klaus se acentua. A timidez pode ser somente um traço da personalidade, mas também pode significar um esconderijo. Se esconde quem sente medo”. Ponderei que o Klaus se dava bem com todos os monges, sendo querido e admirado por todos. O bom sábio manteve a coerência dos seus fundamentos: “Repare que ele trata bem a todos, mas não se relaciona profundamente com ninguém. Isto impede os conflitos externos. Assim, todos no mosteiro o tem em boa conta. Contudo, são relacionamentos superficiais que, como tais, mantêm o amor no raso”.

Franziu as sobrancelhas e demonstrou preocupação: “O amor exige profundidade. Não basta a demonstração de interesse, é indispensável que haja compromisso. Uma existência baseada em relacionamentos fugazes, deixará um enorme abismo como legado. O mais grave, em algum momento, se não for refeito, este abismo se agigantará até engolir o próprio indivíduo”.

O Velho aproveitou para acrescentar um pequeno apêndice à sua tese: “Embora os conflitos nunca sejam desejáveis, quando bem aproveitados, servem para revelar quem ainda não somos, nos fornecendo a matéria-prima das indispensáveis transformações. Por se tratar de uma via dolorosa, deve ser evitada. Podemos alcançar os mesmos resultados por intermédio dos estudos, reflexões, debates e das conversas, desde que realizados com serenidade, disciplina e respeito. Por sua vez, os conflitos, ao invés de provocar transformações, deixam terríveis nós existenciais, causas de incompreensões e sofrimentos. Alguns, muito graves”. Fez questão de ressaltar: “Sempre haverá maneiras mais suaves de chegarmos ao ponto de mutação sem a necessidade do desgaste decorrente dos desentendimentos interpessoais. Por isto, o estudo, a leitura, a reflexão, as conversas, a oração e a meditação. Ninguém precisa do sofrimento para despertar o amor adormecido nem encontrar a sabedoria perdida. Contudo, quando nos negamos à leveza, a vida nos leva ao ajuste preciso, infligindo todo o seu peso sob as nossas costas, como se precisasse rasgar a crosta que impede a luz de atravessar e o amor de florescer. Tenhamos por hábito rever a bagagem para discernir aquilo que fica daquilo que não mais nos serve na viagem. É um hábito importante para mantê-la sempre leve”. Deu de ombros e lembrou: “Cada qual é a sua própria bagagem”.

Em seguida, voltou ao Klaus: “É preciso entender a razão pela qual ele se nega a se relacionar profundamente com outras pessoas. Há algo que ele teme em revelar ao mundo, pois não tem vontade de enfrentar essa sombra em si mesmo. Então, foge das pessoas, pois tem medo de que suas verdades mais íntimas desprendam das profundezas da alma para emergir à tona do ego imaturo, ainda que aparente alto grau de maturidade. Que pese também a vergonha que sentimos quando alguma verdade inconfessável é exposta aos olhos críticos do mundo”. Cortou o galho seco de uma roseira e falou: “É a Síndrome da Roupa Nova do Rei. Como no conto de fadas, temos pavor que alguém perceba a verdade que escondemos e revele à multidão que o rei está nu”.

Temei que não fazia sentido. Todos os anos o Klaus retornava ao mosteiro e convivia com dezenas de monges. Um convívio, observei, que ele fazia com rara mestria. O Velho fez sim com a cabeça e fez uma observação: “Ele sente falta das pessoas ao mesmo tempo que teme ser descoberto por elas. Descobrir no sentido de arrancar o cobertor que esconde do mundo a nudez da sua alma e o protege da vergonha de uma verdade que não consegue lidar nem admitir”.

Argumentei que o Klaus estabelecia limites às suas relações. Limites são importantes delimitadores em todas as relações pelos abusos que impedem. São ferramentas indispensáveis ao respeito. O Velho tornou a fazer sim com a cabeça e disse: “Você tem razão”. Depois, acrescentou: “Contudo, há de se entender o ponto de equilíbrio na fixação das fronteiras dos convívios. Quando muito próximas, permitem as invasões indevidas; quando distantes demais, impedem os importantes compartilhamentos existenciais que tanto nos ensinam, enriquecem e nos fazem evoluir. Uma existência marcada por relações superficiais pode significar uma vida pobre de oportunidades e encantos. Serão dias sem amor. É neste momento que o perigoso abismo se instala; ao se tornar maior que o indivíduo, o devorará”. Eu quis saber a razão desta última afirmação. O Velho explicou: “O amor floresce no coração para frutificar nos relacionamentos. Sem a intensidade do convívio, o sentimento arrefece e o amor falece por falta de sentido. Amor não praticado é como fruta que apodrece sem cumprir o seu destino de alimentar corações”.

Confessei ao Velho que, muitas vezes, eu não encontrava dentro de mim o amor necessário para oferecer em diversas situações. Admiti que eu também me mantinha na superficialidade, não de todos, mas de alguns relacionamentos, nos quais eu sabia que poderia oferecer mais. Admiti que me considerava pobre em amor. O bom monge me ofereceu uma lição inesquecível: “No início dos tempos, para não morrer de fome, a humanidade entendeu que não poderia depender apenas do acaso de encontrar frutos e caças a esmo, nem da regularidade das estações e das chuvas. Existe o imponderável para nos fazer avançar. Assim, compreendeu que precisava fabricar o próprio alimento. Esta ideia fez surgir o pão. Para que chegue à mesa, é preciso preparar o solo, semear o trigo, cuidar e manter a plantação, realizar a colheita, debulhar o grão, fazer a massa e depois assá-la. Somente ao final deste processo, haverá um pão para servir de alimento e saciar a fome. O pão exige vontade e movimento”.

Esperou que eu me manifestasse. Como não disse palavra, ele prosseguiu: “Com o amor não diferente. Ainda que em alguns momentos pareça surgir do acaso, quando não mais o esperamos, não é possível apenas esperar que o amor nos encontre. Não se colhe amor no pé nem é alvo de caça. Existe a necessidade de fabricar o amor. Os relacionamentos, todos eles, são como sementes de trigo. Há que se empenhar em realizar o mesmo processo do pão. Semear, cuidar, manter, colher e transformar. Assim como o pão, o amor exige vontade e movimento. Relações superficiais são sementes de trigo desperdiçadas; é o pão que deixou de acontecer. É um convite a fome existencial. O amor é pão da alma”.  

Aquela conversa se encerrou ali. Eu tinha a liberdade de acatar a sugestão do Velho sobre o Klaus ou seguir atado à minha opinião. Por mais que tivesse convicção quanto ao meu olhar, não consegui deixar de observar o educado e gentil Klaus. Com o passar dos dias, notei que ele sempre estava junto aos grupos de estudos, sentado à mesa de refeições com outros monges e participando das atividades coletivas. Nas horas vagas, quando havia tempo e espaço para um convívio mais íntimo, para estreitar as relações e aprofundar o conhecimento na troca de experiências pessoais, momentos nos quais se abrem passagens através dos muros existenciais, ele se esquivava. A razão deste comportamento talvez fosse porque, nesses momentos, pequenas arestas poderiam provocar grandes rasgos. Os escudos ficam destruídos; haverá o risco da exposição de uma verdade incômoda, que gostaríamos que não existisse. Porém, se existe, há uma razão maior; existe um degrau disponível para subirmos. Para tanto, é preciso deixar para trás o peso da vergonha. A vergonha é consequência da falta de humildade, simplicidade e compaixão. No caso, compaixão por si mesmo. É preciso se amar com doçura no mesmo diapasão que se faz necessário a firmeza e a sinceridade para se transformar todos os dias em uma pessoa diferente e melhor. Todos já erramos, todos já fomos fracos, nos deixamos levar por várias tentações e cometemos muitos erros. Sem exceção. Por isto existe o perdão. Para tornar possível a regeneração; nos reinventarmos e realizarmos a reconstrução a partir das nossas próprias ruínas. Assim é a história de todos os espíritos de Luz; assim também será, através de linhas próprias, a minha e a sua história. O perdão se inicia como uma autoconquista para depois se tornar um merecimento e se completar como um direito. Perdoai os nossos erros à medida que aprendemos a perdoar aqueles que erraram conosco; um poderoso compromisso contido na oração mais famosa do planeta. 

Voltando ao Klaus, notei que nas ocasiões em que poderia haver profundidade e intensidade, ele se recolhia no isolamento da biblioteca. Até então, acreditava se tratar do seu interesse na busca por conhecimento como instrumento de transformação. Mas é preciso aprender as ler as palavras que não estão escritas. 

Contudo, as palavras do Velho, por mais que eu as espantasse, voltavam a soprar nos meus ouvidos. Até que encontrei o Klaus na cantina. Estávamos a sós. Eu tinha ido pegar uma caneca de café no momento que ele enchia uma xícara de chá para levar à biblioteca. Gentil, me ofereceu o sorriso amável e puxou assunto sobre a minha família. Decidi arriscar. Falei que precisava da ajuda dele. Pedi que nos sentássemos para conversarmos um pouco. Foi nítido o seu desconforto, rapidamente corrigido pela sua usual polidez. Sentamo-nos. Falei que enfrentava algumas dificuldades no relacionamento com as minhas filhas. Como ele tinha filhos em idades próximas, perguntei que tipo de problemas aconteciam na sua casa. Acrescentei que a família perfeita não era aquela que não tinha problemas, mas a que buscava soluções com equilíbrio e sensatez. O desconforto dele se acentuou. Ele disse que não se recordava de nenhuma situação específica. Insisti. Pedi um pouco de esforço para que lembrasse de um momento que pudesse me servir de orientação. Afinal, todas as famílias enfrentam dificuldades de algum tipo. Vale ressaltar que é importante que seja assim. Problemas nos ensinam sobre equações e nos faz encontrar impensadas respostas. Com habilidade, Klaus desviou o assunto. Não desisti e retornei ao ponto. Ainda que contendo a irritação, disse que estávamos ali para falar sobre as minhas filhas, não sobre os seus filhos. Lembrei que ele tinha por costume sempre perguntar sobre as famílias dos monges quando os encontrava. Todos sempre interpretaram o gesto como um interesse genuíno. Ponderei que não entendia a razão pela qual ele mostrava tamanho desconforto com a inversão da equação. Klaus afirmou que eu estava enganado. Ato contínuo, antes que eu falasse palavra, ele pediu licença. Alegou que precisava se preparar para os debates e se retirou em direção ao silêncio da biblioteca. Naquele momento, me dei conta que, assim como os demais monges, eu nada sabia sobre o Klaus, embora o conhecesse há vários anos. 

Claro, ninguém está obrigado a falar sobre assuntos que não queira. Contudo, não há motivo para mostrar interesse pelas mesmas questões quanto ao outro sem desejar falar de si mesmo. Não haverá profundidade sem que ambos mergulhem em suas próprias essências, para que sirvam de mútuo espelho e que a luz de um sirva para iluminar o outro. Quando não se permite igual compartilhamento de fluxo, fica evidente um desequilíbrio. Existe um desastre intrínseco que apenas aguarda o momento da sua trágica revelação ao mundo. A timidez, assim como as relações superficiais, pode caracterizar a tentativa de adiar indefinidamente esse anúncio. O orgulho e a vaidade nos fazem temer a vergonha. Por que nos envergonhamos da nossa própria verdade? Enquanto acontecer, adiaremos o inevitável encontro, descoberta e conquista que cada um necessita consigo mesmo. A vergonha revela a imaturidade para lidar com os próprios equívocos; porquanto, a incapacidade de perdoar.  

Nos dias seguintes, embora mantivesse a polidez de sempre, Klaus me evitou. Eu não queria representar o personagem do detetive atrás do fugitivo. Ele tinha o direito de equacionar os seus problemas ao seu jeito e tempo; ele tinha o direito de não querer falar. No mais, eu não tenho a autorização de entrar no espaço sagrado de ninguém sem a devida permissão. Ciente disto, jamais insistiria em dar continuidade aquela conversa que, apesar de não me permitir conhecer algo um pouco além das aparências do Klaus, foi suficiente para entender a preocupação do Velho em ajudá-lo. Havia um grito silencioso de socorro. O corpo alquebrado do Velho se movia devagar, mas a sua sabedoria permitia à sua alma incríveis voos de longo alcance. 

Aquele ciclo de estudos se encerrara de maneira proveitosa e agradável. Notei que ao se despedir de mim, Klaus economizou nas palavras, embora mantivesse a refinada educação, a fala mansa e o olhar firme de sempre.  

No retorno a um novo ciclo de estudos, notei uma tristeza mais profunda nas feições do Klaus. Como seu comportamento polido e atencioso permanecera inalterável, considerei a possibilidade da minha interpretação estar equivocada, talvez influenciada pela experiência do ano anterior. Até que naquela noite, o mosteiro foi acordado por causa uma música tocada em alto volume. Sem demora, identificaram que o som vinha do quarto do Klaus. Ao arrombarem a porta, o encontraram desfalecido por causa de uma dose excessiva de ansiolíticos e antidepressivos ingerida voluntariamente. Uma evidente tentativa de suicídio.

Após levarem o Klaus para o hospital, tivemos a notícia que ele estava fora de perigo. As conversas no mosteiro falavam sobre a atitude inimaginável cometida por um dos monges mais preparados e equilibrados. Estavam todos surpresos. Quase todos. Procurei o Velho e falei que apesar do aviso, não fui capaz de ajudá-lo. Admiti que havia fracassado. O bom monge serenou as minhas emoções: “Embora ninguém desejasse o que aconteceu, nem sempre conseguimos prestar o auxílio necessário. Vale ressaltar que não houve nenhum ato que o induzisse à tentativa de suicídio; foi um ato voluntário e equivocado. Sem dúvida, desequilibrado e desesperado. Porém, de inteira responsabilidade dele”. E me alertou: “Não procure por culpas que não existem”. Fez uma pausa e prosseguiu: “Desconhecemos os mistérios da vida. Talvez o fato, apesar de triste, venha colaborar para a transformação que o Klaus necessita, mas acredita não ter forças para enfrentar; afinal, houve uma tentativa absurda de fuga. Ninguém consegue fugir de si mesmo. Nem na morte”. Em seguida, ponderou: “Talvez esteja te preparando para o ajudar quando ele retornar ao mosteiro. Algo me diz que muitos capítulos ainda serão acrescidos a essa história”.

(Prossegue na sequência, Somos o legado da nossa herança).

Discussões — 7 Respostas

  • Rita 25 de maio de 2021 on 11:06

    Grato, sempre…
    Grande mestre…🙏❤️

  • Ana Maria 22 de maio de 2021 on 10:21

    Como ne identifico com o Klaus. Quanto corro de mim mesmo e nem me dou conta. Relacionamentos superficiais, me fazem transparência apenas no raso e isso me deixa escondida na essência. Por que evitando me relacionar profundo, não corro o risco de ser totalmente descoberta…. quantos Klaus há em mim. Meu Deus!!!

  • karllus 11 de maio de 2021 on 22:51

    ao fim desse lindo texto ainda ria do começo rsrsrs, podemos recomeçar de outra maneira?

  • Leticia Fonseca 3 de maio de 2021 on 19:48

    “O amor exige profundidade… Perdoai os nossos erros à medida que aprendemos a perdoar aqueles que erraram conosco; Sempre que minha alma sente venho aqui buscar respostas e aprendo um tanto. Gratidão!

  • Terumi 2 de maio de 2021 on 20:40

    Gratidão! 🙏

  • SCHWEITZER 30 de abril de 2021 on 14:55

    Que estoria estigante, estou ansioso para saber o que acontecera com Klaus.

    Na vida, podemos fugir de todos, mas nunca de nos mesmos. No final somos escravos e prisioneiros das ideias que cultivamos em nossa mente.

    Espero q Klaus encontre seu caminho para o jardim de ideias brancas.

    Amei a estoria.

  • Fernando 29 de abril de 2021 on 11:28

    Gratidão profunda e sem irmão das estrelas, no aguardo pelo desfecho de mais uma linda história…