O intervalo do trem fantasma

Adoro circo. Quanto mais mambembe, melhor. Palhaços, trapezistas, malabaristas me fascinam desde a infância, quando era levado pelo meu pai a assistir os espetáculos matinais de domingo. Voltar ao circo é retornar à minha meninice. O garoto que ainda me habita se sobrepõe ao homem diante do imponderável mágico proporcionado pela ambiência circense. Na tenra idade, esses artistas eram como semideuses, que mesmo diante do perigo iminente, como a queda do trapezista, o descuido do malabarista, a distração do atirador de facas ou o tombo no andar desajeitado do palhaço, ao final do espetáculo, venciam. Uma projeção que toda criança faz quanto à própria vida. Talvez resida neste movimento inconsciente o encanto sem fim do circo, como se fosse o arquétipo das nossas jornadas existenciais. Por motivos diversos, porém, igualmente encantadores, são os parques de diversão. Quando garoto, tinham o poder de me retirar, ainda que por instantes, da realidade para me transportar a um universo onírico de agradáveis surpresas e sensações, nas quais eu sabia que os riscos eram apenas aparentes. Um lugar seguro para sentir sustos. Naquele dia, a só, eu retornava de Minas Gerais ao Rio de Janeiro. Enquanto dirigia, refletia sobre a enorme dificuldade que eu tinha de aplicar à pratica os ensinamentos já adquiridos. Reações impulsivas de irritação e intolerância me faziam desperdiçar recorrentes oportunidades. Um comportamento que me impedia as necessárias transformações. Havia um gatilho que disparava diante do menor empecilho, impedindo que florescesse o melhor que havia em mim. Eu não conseguia identificar qual era esse gatilho.

Estava na hora do almoço. Eu sabia que os melhores restaurantes eram aqueles onde os caminhões estavam estacionados. Atento, examinava às margens da estrada, quando me deparei com uma lona magenta e mostarda de um circo. Ao lado, um modesto parque de diversões com alguns poucos brinquedos. Mais adiante, um restaurante repleto de caminhões parados. Antes de almoçar, sem resistir a um forte impulso, fui visitar esses dois símbolos com intensos significados em nossos inconscientes, como se servissem de pontes para nos levar em lugares desconhecidos dentro de nós mesmos.

Uma placa avisava que haveria espetáculo à tarde no circo. No mesmo horário, o parque de diversões começaria a funcionar. Como anfitrião e visitante das minhas memórias, o menino lembrava ao adulto as emoções vividas em dias distantes; trazia as lembranças esmaecidas por um turbilhão de situações ocorridas nas décadas seguintes, em tour de histórias quase esquecidas. Havia muito tempo que eu não retornava a um parque de diversões. Decidi me aventurar no parque ainda vazio àquela hora. Sorri diante do carrossel e da roda gigante. Contudo, a sensação não foi a mesma quando me deparei com o trem fantasma, um brinquedo ingênuo no qual entramos em um carrinho sobre trilhos para uma rápida viagem a um suposto castelo de horrores, habitados por monstros, fantasmas e múmias. Sem dúvida, foi a minha atração preferida até que, em certa ocasião, faltou energia elétrica justamente no momento em que eu estava no meio do trajeto. No escuro, me vi diante desses personagens ameaçadores e maltrapilhos, que ganharam vida na imaginação de um menino assustado. Foram poucos, porém, intermináveis minutos até que o carrinho voltasse a funcionar. O suficiente para que nunca mais eu quisesse andar naquele brinquedo. Sem confessar o meu medo para as outras crianças, passei a oferecer diferentes desculpas para não mais as acompanhar quando, em novas visitas, a rota do passeio no colocava diante do trem fantasma. Fosse uma vontade repentina de ir ao banheiro, fosse algo que supostamente eu tinha esquecido e precisava voltar para buscar. Casos nos quais a demora sempre bastava para que, ao retornar, eles já estivessem em outro brinquedo. Creio que talvez nunca tenham percebido os meus truques de fuga, mas eu jamais os esqueci.

Detive-me em frente ao trem fantasma. Sorri diante da constatação de como são comuns comportamentos ingênuos na infância. A falta de compreensão e de maturidade nos leva a isso. Medos tolos e reações descabidas, vistos de longe, parecem divertidos. “Ledo engano”, disse uma voz atrás de mim. Assustado, me virei. Era um ancião de pele negra, com cabelo e barba esbranquiçados pela idade. Sentado sobre os calcanhares, com a camisa abotoada até o colarinho, as pernas da calça estavam dobradas até os joelhos; ele pitava um cigarro de palha com a serenidade daqueles que não temem o tempo. Havia em seus olhos uma doçura incomensurável. Com a voz mansa, explicou: “Todas as experiências carecem da exata elaboração. Do contrário, permanecerão incompletas. Como o resultado de tudo aquilo que foi experimentado, a compreensão das nossas vivências será usada para construir quem somos. Experiências desastrosas não equacionadas nos fazem inacabados, como partes mal erguidas ou dissonantes de um indivíduo. Causas de desequilíbrio e fraqueza nas fases posteriores da existência”.

Perguntei quem ele era. “Sou o operador do trem fantasma”, foi a resposta. 

Antes que eu pudesse articular qualquer pensamento, ele me fez um convite: “Que tal um passeio depois de tantos anos?”. Em seguida, sugeriu: “Uma necessária volta para encaixar as peças perdidas nas engrenagens de si mesmo”. Agradeci, mas recusei. Aleguei se tratar de um simples incidente, comum às infâncias. Nada que precisasse de um novo olhar ou significado diverso. O ancião esclareceu: “As experiências vividas na tenra idade formam alguns dos pilares do arcabouço que sustenta as emoções e ampara as ideias na etapa denominada, em alguns casos equivocadamente, de maturidade. Sem que sejamos capazes de perceber, faz com que diferentes sentimentos e pensamentos sejam rechaçados de imediato, sem a devida e cuidadosa análise quanto ao valor do conteúdo e oferta de possibilidades. Isto acontece por não encontrarem respaldo nas imperfeições de quem somos, assim como não podemos colocar janelas e portas em uma casa sem paredes. Da mesma forma, não podemos erguer andares mais altos enquanto não existirem alicerces capazes de suportar o crescimento. Sem entender, somos levados a abandonar a própria estrutura para ir morar fora de quem somos. Ao desistir da obra, a construção essencial entra em processo de ruína. O patrimônio da vida se perderá”.

Ao perceber a minha hesitação, me encorajou: “Onde está o seu medo, reside a sua fragilidade e desequilíbrio, motivos dos seus sofrimentos. Somente lá será possível reverter as causas e encontrar a cura”.

Sem entender o meu orgulho, mas querendo me mostrar tolerante, falei que aceitava dar uma única volta no trem fantasma. Indaguei se seria suficiente. O ancião deu de ombros e disse: “Impossível saber. No entanto, a viagem é sua; jamais a faça por mim nem por ninguém. Na estrada do tempo, todos os dias podem se tornar dádivas ou maldições. Independe da situação. Depende do seu olhar”.  

Desconcertado, decidi aceitar o convite. Eu estava disposto a encerrar aquela história. Medos de crianças não assustam adultos, comentei. Em resposta, o operador arqueou os lábios em leve sorriso. Sempre gentil, ele me encaminhou até o carrinho. Depois de devidamente acomodado, uma surpresa. Um menino franzino, de cabelos negros e olhos acastanhados se sentou do meu lado. Tive a nítida sensação de que o conhecia. Antes que eu falasse algo, o trem partiu em velocidade estonteante. 

            Logo após a primeira curva, quando entrou em um ambiente de intensa escuridão, o trem freou. De ambos os lados, surgiram várias imagens. Eram as casas simples do bairro operário onde fui criado. Meus pais saiam cedo para trabalhar. Pela manhã, eu ia à escola; à tarde, depois de fazer os deveres, flanava pelas ruas com outros garotos em busca de diversão. Não raro, encontrávamos confusão. O bem e o mal estão em todos os lugares, independente de condição financeira ou intelectual. O bem e o mal são questões de ordem moral e espiritual. É uma questão intrínseca, do quanto o seu ego está alinhado à sua alma, de como cada pessoa lida com as próprias emoções e a maneira como reage às provocações, frustações e decepções. Naquelas ruas do Estácio havia acolhimento e perigo. A fronteira era tênue. Acredito que, reservados alguns detalhes, não seja diferente na maioria dos lugares. Foi preciso aprender a sobreviver à medida que as situações aconteciam. Muitos dos critérios e valores utilizados, vistos com os olhos de hoje, estavam equivocados. Mas a voz corrente das esquinas funcionava como lei de comportamento; os fortes subjugavam os fracos. A humilhação e orgulho eram espécies de pagamento e glória usuais, como se fossem moeda corrente. De mil maneiras possíveis, a qualquer momento você poderia ser desafiado. Negar o duelo era se admitir fraco e restar banido do grupo dos fortes. Se acontecesse, você passaria a viver acuado, como um pária sem valor. Em verdade, ser genuinamente forte seria romper com esse padrão nocivo de comportamento. Para isto, todos éramos fracos. Ninguém se dava conta disto. Se o medo é a semente de todas as sombras, a ignorância sobre si mesmo é o solo fértil.

O trem voltou a seguir sobre os trilhos. Agora, devagar. As imagens de ambos os lados eram absurdamente reais. Eram situações que eu acreditava não mais lembrar. Períodos da minha existência nos quais tive de extrair forças, até então desconhecidas em mim, e encontrar mecanismos para manter a cabeça fora d`água em uma sucessão de ondas assustadoras em mar ressacado. Com os critérios e valores estabelecidos pelas ruas, sem idade e maturidade para me opor às influências, eu neguei a minha essência, recalquei a minha voz e autêntica vontade. Não consegui fazer melhor. Fui fraco para me mostrar forte. Esta é a armadilha das sombras. Esse é o engodo do orgulho, da vaidade, da ganância, entre outras sombras. É também uma das fantasias do medo e do sofrimento. Eis a mentira inconfessável dos violentos; eles sentem muita dor e insegurança. Egoísmo é característica de um ego imaturo; o abandono de si mesmo é a outra face da mesma desorientação. A depressão e a ansiedade, ao lado da agressividade, são as consequências mais comuns. No meu caso, reagir com rispidez era uma maneira de mostrar a qualquer pessoa que tivesse uma atitude que eu interpretasse como de desafio ou antagonismo, de que ela estava diante de alguém pronto para o combate; disposto a manter a própria honra a qualquer preço. Naquela época, eu nada sabia sobre honra, apenas a confundia com orgulho e vaidade, sementes germinadas no solo fértil do medo. Honra encontra o melhor significado na dignidade de tratar os outros da maneira como gostaríamos que nos tratassem. Eu fazia o inverso disto ao reagir com aspereza diante de qualquer situação que se assemelhasse a uma ameaça. 

Um olhar apurado, seja sobre a intolerância, seja pela inadequação, mostrará um indivíduo frágil e desequilibrado; um sofredor, ainda que a agressividade conceda uma falsa aparência de força e poder. Um semideus de papel machê. 

À medida que o trem prosseguia, a minha idade avançava; outros fantasmas vieram me visitar. Apesar de os fatos se modificarem, a história se repetia; o meu padrão de comportamento firmado nos alicerces das primeiras fases da existência tinha se tornado o arcabouço para sustentar quem eu era, influenciava as minhas escolhas e a maneira como eu lidava com o mundo. Sem consciência disto, não tinha como eu me transformar. Embora já tivesse conhecimento suficiente para executar essa importante transmutação, algo a impedia de se efetivar. Todas as vezes que acreditava ter conseguido, a vida me apresentava uma dificuldade que eu não conseguia superar. Na maioria das vezes, a atitude das pessoas me irritava ou causava suspeita. Por ter vivido em ambiente hostil, tentava antever maldades até onde não havia. Então, eu reagia mal.

Foi quando me dei conta que o garoto, sentado ao meu lado, chorava. A voz do operador, através do autofalantes do trem-fantasma, pediu que eu abraçasse o menino que soluçava e acrescentou: “Diga que ele foi muito valente, fez o melhor que sabia, mas que agora você pode cuidar dele. Deixe-o descansar, permita que ele volte a ser uma criança, sem mais necessidade de brigar para sobreviver, nem de fazer aquilo que contrariava a sua essência. Agradeça a ele por conduzir você até aqui, porém, avise que agora é contigo. Ele não mais precisa gritar quando uma situação de perigo se avizinhar; se faz desnecessário mostrar ódio como demonstração de força quando se sentir desafiado por alguém”. Ao passar os meus braços por entre os seus ombros, me senti estranha e acolhedoramente abraçado. Não tive dúvida de quem era aquele menino. Chorei com ele, por ele e por mim. Tínhamos que perdoar os nossos erros para podermos seguir em frente, para tornar possível uma transformação que nos aguardava. Embora eu tivesse o adequado pensar, o sentir me impedia. Não haverá nenhuma evolução espiritual, enquanto as emoções estiverem revoltosas. Mesmo querendo a luz, ao sentir raiva sou afastado da luz. Eu sou o único oponente capaz de impedir a minha própria caminhada. Ninguém mais. Todos os demais são importantes interlocutores, em indispensável intercâmbio de aperfeiçoamento. Sem mais, restam as obsoletas formas de ser e viver. Vencer os outros é vitória vazia; superar a mim mesmo, ao iluminar cada uma das minhas sombras, a única e verdadeira conquista. Eu sabia, mas não conseguia.

Enquanto o menino não fosse acolhido e perdoado, o ego não ficaria em paz; haveria uma voz dissonante às orientações da alma nessa interlocução fundamental. O arcabouço viciado e mal construído das emoções me impedia de aplicar o melhor conhecimento. Fazia-se indispensável que os valores da alma entrassem em consonância com as vontades do ego; quanto mais intenso e suave for este tráfego, maior clareza no ser e leveza no viver. Enquanto gerar revolta ou desânimo, nenhuma evolução será permitida; ninguém caminha por sofrimento, porém, com compaixão. Apenas quando impulsionado pelo amor me será possível avançar além de onde estou. A dor, tem a única função de romper as resistências que impedem o amor de florescer. Se não conseguir, a dor será apenas sofrimento sem nenhuma serventia. O amor, em qualquer das suas modalidades virtuosas, transformam emoções densas em sentimentos sutis que, por sua vez, ampliam a percepção e refinam a sensibilidade. Tudo muda.

O trem parou para que eu pudesse conversar com o menino. Não haveria mais gritos de medo nem reações de desafio às inerentes contrariedades da existência. Era preciso desmontar para sempre esse gatilho que, ao disparar, impedia de florescer o melhor que existia em mim. Expliquei a ele que a partir daquele momento, todos os obstáculos seriam observados sob o prisma da evolução. Juntos, encontraríamos o mestre que nos ensinaria algo que ainda desconhecíamos. Somente assim, aproveitaríamos a lição ofertada. A exata leitura da vida é o livro da perfeita sabedoria. Desde que feita com os olhos do amor. O garoto enconstou a cabeça no meu ombro e sorriu. Eu esquecera da beleza daquele sorriso. Ele tinha encontrado a paz; eu também. Choramos juntos. Nos abraçamos. Ouvi ele sussurrar que, embora não as conhecesse, aguardava por aquelas palavras havia muito tempo. Sorrimos juntos. Então, começamos a nos lembrar de como também existiram bons e alegres episódios em nossa história. O trem-fantasma deu um solavanco e prosseguiu.

Ao terminar o trajeto, não havia mais ninguém sentado ao meu lado no carrinho. O menino agora brincava em mim. Ele estava livre. O tempo da dor se encerrara. 

Tomado por uma estranha e agradável sensação, não me levantei. Extasiado, eu precisava encontrar o adequado lugar para aquele novo momento. Percepção e sensibilidade estavam em tranquila, porém, estimulante ebulição. O ancião se aproximou. Sem rodeios, foi ao assunto: “Infância e adolescência são períodos delicados e complicados que necessitam de intensa visitação para desmanchar traumas e desamarrar nós existenciais. Do contrário, o adulto seguirá aprisionado em suas próprias emoções incompreendidas. Quando falamos de preconceito, logo nos ocorre aqueles de orientação sexual, origem étnica, aspecto físico, condição profissional ou financeira. Sim, estes são os mais perceptíveis, comuns e comentados. Há outros, ainda imperceptíveis e não menos danosos. São os preconceitos personalíssimos nascidos de situações dolorosas da infância. O sofrimento intenso e incompreendido, faz com que rejeitemos de antemão acontecimentos e repudiemos pessoas que, ao menor e involuntário movimento, façam ressurgir a lembrança indesejada. Por medo, o inconsciente se move por semelhança. Como se houvesse um espelho pré-instalado, que mesmo antes da devida compreensão, se antecipa em recusa à aceitação. Isso explica muitas das nossas reações de intolerância, que não conseguiremos descontruir sem pacificar a criança esquecida que ainda sofre e, por isto, grita de medo. Uma voz que se manifesta em reações impulsivas. Enquanto não acontecer o resgate, viveremos conflitos constantes. Somente assim conseguiremos desmontar as estruturas contaminadas pela insalubridade, até então imperceptíveis a olhos imaturos, por estarem ocultas no subsolo da existência. Estes somos nós no cativeiro da dor”.

Lembrou-me de algo importante: “Desconstrua a Síndrome do Caubói que o atormenta desde a meninice. Eduque o seu inconsciente a viver de outra maneira. A maioria das pessoas, quando o contrariam, não pensam duelar contigo. Somente estão exercendo as suas escolhas, sem qualquer preocupação de se mostrarem maiores que você. O orgulho nunca o protegeu. Ao contrário, semeou desequilíbrio e impediu o verdadeiro crescimento. Aos poucos que o desafiam, responda-lhes com compaixão. Não deixe que a incompreensão e o sofrimento alheio o contaminem. Na realidade, as pessoas agressivas pedem por ajuda; acolha-os na medida do possível. Este sim, é um genuíno e valioso desafio intrínseco; será apenas você consigo mesmo. Tudo mais é somente orgulho e vaidade. Os tolos acreditam se tratar de honra”. 

Então, concluiu: “Não negue nenhuma das suas vozes. Como ensinou um antigo sábio, tudo aquilo que você esconde voltará para lhe dominar”. Fez uma pausa para me revelar um segredo: “A mente intelectiva fica incompleta na ausência de amor. De outro lado, a reação emotiva se mostra distante da sabedoria. Na integralidade do ser, a mente precisa de um intervalo para ouvir a voz da alma, a sua essência sagrada. As emoções precisam dar lugar à clareza permitida aos sentimentos, do contrário, inexistirá a exata compreensão. Isto revela a maturidade do ego pela vontade de enxergar com pureza, sem os nevoeiros dos sofrimentos e a estreiteza dos preconceitos. Assim, o amor terá uma chance. O impulso usa a linguagem das dificuldades; portanto devemos evitar reagir dessa maneira. O intervalo, pelo tempo que for necessário, até que a luz venha à tona para educar e iluminar as nossas vozes irritadiças e revoltosas, é um hábito daqueles que conquistaram a si mesmos”. 

O ancião arqueou os lábios em doce sorriso e finalizou: “Agora é contigo. Mais uma ferramenta lhe foi entregue. Faça bom uso e prossiga a obra”. Em seguida, disse que precisava cuidar de outros afazeres. O parque logo abriria. Apagou o cigarro de palha, pediu licença e desapareceu pelos vãos do trem-fantasma. Em silêncio, agradeci a ele pela viagem proporcionada.

Algumas semanas depois, compromissos profissionais me fizeram regressar a Minas Gerais. Ao passar na mesma rodovia, me alegrei ao constatar que o parque de diversões, assim como o circo, ainda estava no mesmo lugar. Tive vontade de conversar com o ancião. Estacionei o carro. Ao perguntar pelo operador, as pessoas estranharam. Disseram haver alguma confusão. Aquele parque nunca teve um trem-fantasma. 

Discussões — 6 Respostas

  • Gilson Luna da Silva 28 de junho de 2021 on 06:54

    Gratidão

  • Adriana Dinoá 13 de junho de 2021 on 08:20

    Obrigada meu querido amigo..Pela nova ferramenta ensinada..Estou no combate ,o bom combate,tentando entender justamente a razão dos meus impulsos..Ainda não consigo ser o que sei que posso, mas estou no caminho!!
    Essa é a verdadeira batalha..A que travamos com nós mesmos..

  • Terumi 8 de junho de 2021 on 22:15

    Gratidão 🙏

  • Dani Teodoro 7 de junho de 2021 on 06:04

    Sinto muito
    Me perdoe
    Eu te amo
    Sou grata!

  • Fernando 4 de junho de 2021 on 05:16

    gratidão profunda e sem fim…

  • SCHWEITZER 3 de junho de 2021 on 19:42

    Fui fraco ao tentar ser forte, essa passagem ilustra com claresa a sabedoria libertadora desta estoria.

    Amei.